Sobre os Astecas

Os mexicas, ou astecas, se fixaram em Tenochtitlán (atualmente Cidade do México) em 1325. Diziam-se originados de Aztlan Chicomoztoc. Suas descrições deste lugar demonstram inúmeros traços da cultura mesoamericana. Nos relatos de sua peregrinação afirmam: “Estamos retornando do norte, estamos voltando para o lugar de onde vivíamos”.

“Um elemento importante do lugar de onde vinham, é que estavam subordinados a um grupo dominante. Chamam esse grupo de tlatoque (governantes) e pipiltin (nobres) de Aztlan Chicomoztoc. Dão-se a si mesmos o nome de macehualtin (plebeus com conotação de ‘servos’)”. Eram obrigados a trabalhar para os governantes e pagar-lhes tributo.

Os mexicas diziam reverenciar a organização e forma de governo de origem divina, diretamente vinculadas ao sumo-sacerdote dos toltecas, Quetzalcóatl. Para eles, a obediência ao deus sempre resultava no cumprimento de suas promessas. Os mexicas criaram uma “imagem verdadeira de si mesmos e de suas origens”. Contam que, quando os tapanecas estavam prestes a inicia hostilidades, a maioria do povo mexica, isto é, os macehualtin, decidiram se render. Em resposta os pipiltin fizeram um acordo de que se fossem derrotados, obedeceriam aos macehualtin para sempre, porém se vencessem, os macehualtin deveriam obediência total aos pipiltin. A vitória estabeleceu a base da situação política e econômica dos pipiltin. A partir daí o domínio asteca estendeu-se ainda mais. Fortaleceu-se militarmente e comercialmente.

Muitos cronistas espanhóis reconheceram algumas semelhanças entre a sociedade mexica e os reinos feudais da Europa. O que resultou no emprego de termos medievais para os astecas. Termos como senadores, cônsules, reis, príncipes, corte real, hidalgos, cortesãos, plebeus, escravos, servos entre outros. O revisionamento crítico desses termos foi iniciado por Lewis H. Morgan em 1877. A partir daí, muitos historiadores aceitaram que os mexicas e os outros povos que habitavam a Mesoamérica não tinham classes sociais diferenciadas e não haviam desenvolvido uma organização política como reino. “Reconheciam que sua ligação era apenas vinculada por sangue (como ‘clãs’, ou ‘tribos’), algumas vezes associados em confederações”. Porém sabemos que somente os pipiltin podiam exercer a propriedade da terra. Temos fortes indícios de divisão de trabalho de acordo com o sexo. Os homens ficavam com as tarefas agrícolas e as mulheres com as domésticas. Dentro das especializações de trabalho podemos citar pedreiros, artesãos, carpinteiros, pintores, ceramistas, ourives, pintores de livros (tlahcuilos) e muitos outros.

“O ponto central do debate em torno da natureza e da estrutura da sociedade e da economia mexicas é a posição social e as realizações do grupo dominante, os pipiltins” que controlavam boa parte da Mesoamérica. Segundo os próprios pipiltins, eles eram um povo predestinado pelo deus a conduzir seu povo.

Quando Moteuczoma I iniciou seu reinado, os mexicas eram senhores de um vasto território. A organização política dos astecas acompanhou essa expansão. Foi dado ao huey tlatoani, plenos poderes. Embora o governante fosse considerado um representante da divindade, não era visto como filho ou encarnação do deus. “Era o comandante-chefe do exército e dignitário religioso, bem como juiz supremo e senhor cuja vontade ninguém ousava contradizer. Detinha esse papel supremo, não por sucessão hereditária, mas por eleição. A eleição do huey tlatoani era dever e privilégio de um número limitado de pipiltin. Esse grupo representava a antiga nobreza a quem os plebeus prometeram obediência quando correram o risco de ser aniquilados pelos tecpanecas. Ser eleito governante supremo pressupunha fazer parte do grupo dos tlazo-pipiltin. As qualidades pessoais eram cuidadosamente examinadas pelos eleitores. Na verdade, não votavam, pois seu propósito era chegar a uma decisão unânime; assim, passavam vários dias a consultar pessoas diferentes e a deliberar entre si”. Finalmente chegava-se a conclusão daquele que seria o melhor líder para a nação. “Deste Moteuczoma I até a invasão espanhola, todos os huey tlatoani foram escolhidos por esse método, cujos vestígios, na opinião de alguns pesquisadores, ainda hoje sobrevivem nas eleições presidenciais do México atual”.

Os cargos administrativos mais importantes estavam reservados aos pipiltins. Eram-lhes conferidos títulos e a posse e o usufruto de terras. Os pipiltins não pagavam tributos. Os filhos desses nobres freqüentavam o calmecac, ou centro de ensino elevado. Neles a sabedoria ancestral era preservada; os alunos aprendiam a ter o “rosto sábio e o coração de pedra”, a serem fortes e humildes, além de serem preparados para assumir cargos na administração pública. A alta cultura indígena era transmitida no calmecac, era uma sociedade baseada na lealdade e na dignidade.

Os mexicas acreditavam que os sacrifícios – através da oferenda de sangue – ajudava a restaurar a energia divina. Dessa forma a preocupação básica do grupo dominante passou a ser o culto aos deuses, os sacrifícios humanos e as guerras para obter cativos e impor o domínio asteca. O sacrifício e a guerra cerimonial para prear vítimas para os ritos sacrificais eram suas atividades centrais, o próprio núcleo de sua vida pessoal, social, militar e política.

“Em períodos de dificuldade, as condições de vida dos macehualtin pioram sob muitos aspectos. Assim, por exemplo, durante períodos de escassez de alimentos foram obrigados muitas vezes a vender-se ou a seus filhos como tlatlacotin, um termo que os espanhóis traduziram como por ‘escravos’”. Essa escravidão, porém, era diferente; um mexica era vendido como escravo por tempo limitado, sendo que podia, o próprio escravo, ou algum parente resgata-lo. O problema da escravidão é que um escravo corria o risco de ser escolhido para o sacrifício humano, já que seu dono tinha esse direito. Os filhos dos escravos nasciam livres.

Não podemos nos olvidar também, das praças de mercado e o comércio praticado pelos pochtecas, ou comerciantes, um espetáculo à parte.

“Assim, um mosaico de povos, culturas e línguas possuíam a terra em que Hernán Cortés e seus seiscentos homens logo iriam desembarcar. O conquistador cedo ficaria sabendo da existência dos mexicas. Foram feitas referência a eles pelos maias de Yucatán, pelos chontals de Tabasco e pelos totonacas de Veracruz. Por intermédio dos últimos, e particularmente dos tlaxcalanos, Cortés foi informado do poder e da riqueza da metrópole asteca e de seus governantes, em especial de Moteuczoma”. Percebendo que os mexicas se sobressaíam naquele mosaico de povos, os espanhóis logo compreenderam a situação e tiraram proveito disso se unindo aos inimigos de Tenochtitlán, que por sua vez achavam que os espanhóis os estavam apoiando. Porém logo a ordem espanhola afetaria tanto os astecas quanto seus inimigos.

PARA SABER MAIS:

BETHELL, Leslie. História da América Latina Vol.1: América Latina Colonial.

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