O ateu é mais cristão do que o cristão

Tal pensamento viria a afirmar que os cristãos fazem boas obras em detrimento da obtenção da vida eterna, enquanto ateus fazem boas obras sem segundas intenções. Este pensamento já vem impregnado de preconceitos. Primeiramente, aponta o cristão como alguém que só tem bom comportamento e faz boas obras devido a segundas intenções, como tentativa de comprar ou faze-las em troca da salvação. Aponta também para o ateu como um sujeito “acima do bem e do mal”, não suscetível a qualquer força externa que o venha a mover em direção ao desenvolvimento do bem.
Em qualquer área da vida a generalização é perigosa, pois na medida da ignorância gera dogmas tão enraizados que muitos os tornam regras para a vida toda. Particularmente neste pensamento há uma generalização horrorosa e extremamente ofensiva aos cristãos, pois os coloca como um povo que não é capaz de desenvolver clemência, compaixão e caridade, sendo esses sentimentos sempre nascidos como moeda de troca com Deus. Incontestável é o fato de que temos tanto bons e maus cristãos como bons e maus ateus.  Teologicamente, para os cristãos, especialmente para os protestantes que seguem a doutrina da salvação pela fé, as obras são frutos de uma convivência maior com Deus que gera no coração do indivíduo pré-disposição de fazer a vontade do Pai; por amor, não por moeda de troca. Prova incontestável dessa verdade é a morte de Cristo pelos nossos pecados. Se Jesus tomou o fardo de nossos pecados e nos deu a salvação por sua graça, o que poderia eu, um ser finito e fraco, fazer pela minha própria salvação? Em humilhação aceito o sacrifício e reconheço que não sou capaz de me salvar pelas minhas próprias mãos.

Outro ponto discutível é o fato de ateus não fazerem suas boas obras com segundas intenções. Lembremos que todos os seres humanos estão suscetíveis ao orgulho, à busca de reconhecimento dos outros, formas de aplacar a consciência etc. Todos estamos suscetíveis a motivos que nos levam a fazer o bem, assim como motivos que nos levam a fazer o mal.

Este pensamento é especificamente não apropriado aos cristãos porque a principal doutrina que separa cristãos de quaisquer outras religiões como budismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo, entre outras, é justamente a salvação não por meios próprios, mas pela aceitação de Jesus como salvador pessoal. Desta forma a compra da minha salvação pelas minhas próprias obras está fora de questão, pois a bilheteria do céu não aceita moedas de obras, senão moedas de sangue, do sangue de Cristo. Pois está escrito: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna; porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Romanos 6:22-23).

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