O Herói Conquistador

Quando ouvimos falar de Cristóvão Colombo, vem-nos à mente a figura do herói conquistador, desbravador de mares e de novos horizontes. Porém na verdade, o Colombo herói foi uma mera invenção do tempo. O navegador acreditava ser um predestinado e sempre que possível se afirmava pela Bíblia. Gostava de citar Isaías 24:16 “Dos confins da terra ouvimos cantar alabanças…”, e com um grande esforço na interpretação afirmava que este verso se referia a descoberta das Índias. Não que ele desconhecesse a ciência, nas suas próprias palavras: “tive relações com homens de ciência, eclesiásticos e leigos, latinos e gregos, judeus e árabes. Para isso me deu o Senhor o espírito do conhecimento (…)”.

Colombo tinha uma personalidade complexa, ao mesmo tempo em que oprimia marinheiros e escravizava índios, assumia um comportamento místico de salvador do mundo cristão. As profecias o fizeram crer que sua missão era obter ouro das “Índias” para financiar expedições de conquista do Santo Sepulcro, expulsando da terra santa os inimigos da religião cristã.

Colombo misturava dois mundos diferentes e transitava no tempo, ora moderno, ora medieval. Tal transição por vezes gerava contradições gritantes. Como a perfeita sintonia entre a honra e o proveito. Enquanto a honra era levar a fé católica aos locais conquistados, o proveito era o reconhecimento da nobreza, além é claro, das recompensas financeiras das conquistas. Tudo isto se encontrava presente na personalidade de Colombo.

Nosso herói era um homem sincero, acreditava na missão divina de expandir a fé católica. Milhões seriam convertidos com seus descobrimentos. Porém, estava tão obcecado em fundamentar seus planos na Bíblia, que deixou de lado as claras passagens de Jó 26:7 referente ao campo gravitacional e de Isaías 40:22 sobre a redondeza da terra. Forçosamente interpretou as profecias de forma a supostamente provar que eram referidas a ele mesmo. Chegou a fazer o infeliz comentário de que a terra teria a forma de uma pêra, ou pior ainda, que o mundo era como uma “teta de mulher”, e no mamilo do mundo se localizaria o jardim do Éden.

Colombo foi a peça de encaixe perfeita do sistema da conquista, sua característica principal era a fé. Pela fé já sabia o que ia encontrar. O que deixou como testemunho é a comprovação mística do que já sabia.

Um triste exemplo é quando nosso herói vê sereias e monstros marinhos. Era justamente seu vivo imaginário medieval em pleno funcionamento. Ele viu “três sereias que saltaram alto, fora do mar”, e ainda detalha: “Elas não eram tão belas quanto se diz, embora de certo modo tivessem forma humana de rosto”. Em 1493 explicou que as sereias “não se dedicam a nenhum exercício feminino, e sim aos do arco e flecha (…)”. Garantia que tais mulheres nasciam “com uma calda”.

Era um louco? Não, somente um homem de seu tempo.

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