"Tudo o que é sólido desmancha no ar"

Em “Tudo o que é sólido desmancha no ar”, Marshall Berman afirma haver um clamor pelo desenvolvimento e uma busca incessante pelo progresso e pelo novo. Contudo, esse desenvolvimento constante acontece de forma dialética, sendo que o que é antigo contém o germe de sua própria destruição, pois para o desenvolvimento do novo, não há possibilidade de convivência com o antigo e ultrapassado. Em outras palavras, a sociedade possui um incontrolável impulso de destruição e desenvolvimento, e necessita ter saciadas as necessidades criadas por ela mesma; dessa forma produz idéias e movimentos que almejam destruí-la. O que hoje é antigo e ultrapassado, já foi uma modernidade que demandou a destruição do modelo anterior a ele. Nesse meio tempo, o homem é atingido diretamente em suas certezas e seguranças, tendo de adaptar-se rapidamente às mudanças para sobreviver. Esse é o mal do urbanismo e da modernidade.
Berman estuda a Nova Iorque em desenvolvimento do século XX. Muitas das estruturas urbanas que vemos hoje foram planejadas especificamente como expressões simbólicas da modernidade: o Central Park, a ponte do Brooklyn, a estátua da Liberdade, entre outras. Em meio a toda essa vasta estrutura urbana e seus inúmeros símbolos e simbolismos vemos um infatigavelmente conflito de uns com os outros, uma briga por um lugar ao sol, como afirma Berman.

A frase de Marx “Tudo o que é sólido desmancha no ar” faz jus a essa Nova Iorque que vive numa constante dialética entre modernidade e modernismo. Para o desenvolvimento do novo, não há possibilidade de convivência com o antigo e ultrapassado, assim o que faz parte do passado carrega o germe de sua própria destruição, necessária ao progresso. Essa é a contradição que toda a cidade carrega. Berman afirma: “(…) vemos aqui o que o modernismo efetua uma nova e dramática decolagem: o desenvolvimento da modernidade transformou a própria cidade moderna num elemento antiquado e obsoleto”.

Berman vê uma sede de modernidade, uma crença nas suas promessas e no progresso que isso trará: “(…) na realidade, a vasta maioria dos homens e das mulheres modernos não pretende resistir à modernidade: eles sentem a sua excitação e crêem na sua promessa, mesmo quando se vêem em seu caminho”.

Berman ainda cita Jane Jacobs e seu livro “profético” sobre esse novo urbanismo: Morte e Vida das Grandes Cidades Norte-americanas, publicado em 1961: “O ponto salientado por Jacobs é que o assim denominado movimento moderno inspirou uma ‘renovação’ urbana de bilhões de dólares, cujo resultado paradoxal foi a destruição do único tipo de ambiente em qual os valores modernos podem ser realizados” . É a partir desse tipo de pensamento que surge a admiração pela vida no campo. O que é realmente irônico, pois desenvolvemos uma visão maravilhosa do que é viver no campo sem ao menos termos experimentado esse tipo de vida.

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