A construção da República do Brasil

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Euclides da Cunha, ao caracterizar o advento da República no Brasil utilizou as palavras: improviso, arrebatamento, velocidade e inesperado. A sensação mais forte era a de vertigem e aceleração.

A data de 15/11/1889 foi inscrita nos livros escolares e no imaginário coletivo como um acontecimento fundador do que somos. Um lugar de memória. Entretanto, devemos entender a República como um processo histórico, não tão improvisado como pode parecer. Naquele momento o contexto mundial passava por transformações, e o Brasil deparava-se com a dicotomia Marasmo x Progresso. A associação entre progresso e civilização fundamentava o ideal moderno, pautado em novos valores, códigos, formas de agir, e pensar.

As grandes potências do mundo iniciavam uma corrida imperialista, com destaque para Inglaterra, França, Alemanha, Holanda e Estados Unidos. Por todos esses lugares, novas práticas sociais transformam as cidades modificando também as bases do conflito social.

Enquanto isso a ciência e as invenções transformavam o cotidiano e revolucionavam os hábitos. Dessa forma, desenvolve-se uma nova concepção de tempo e de história. Dois pólos são vislumbrados: um positivo representado pela sempre renovada conquista do progresso, e um negativo representado pelo atraso e pela barbárie. Diante desse contexto, o Brasil permanece ainda como lugar periférico e colonial, Tenta incorporar o discurso hegemônico, a fim de imprimir mais velocidade às suas conquistas, para entrar no hall das nações civilizadas e progressistas.

Sob a perspectiva do tempo cronológico, percebe-se que a República brasileira não foi apenas obra do “golpe militar”, uma vez que em 1870 oficializou-se o republicanismo brasileiro com a publicação do Manifesto Republicano que propunha o federalismo.

Outros fatores contribuíram para o estabelecimento da República. A monarquia vinha enfraquecendo-se com a abolição da escravatura, o descontentamento militar, a falta de habilidade política imperial para lidar com os interesses da Igreja Católica, e a debilitada saúde de D.Pedro II.

Com o estabelecimento da República, efetivamente alterou-se a Constituição, entretanto, não foi sentida pelo povo, que deveria ser o verdadeiro protagonista das transformações. Em vez disso, a população assistiu o desenrolar dos fatos daquele dia “bestializado, atônito, surpreso, sem compreender o que se passava, julgando ver talvez uma parada militar” (Carta de Aristides Lobo ao Diário Popular de São Paulo em 18/11/2008).

Para legitimar o novo regime, a iconopedagogia foi muito utilizada. As tradições foram criadas, como forma de resgatar um passado glorioso para justificar um presente em que não havia muito que comemorar.

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