Globalização Cultural na Turquia

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(Análise da obra de BERGER, Peter; HUNTINGTON, Samuel (org.). Muitas Globalizações: Diversidade Cultural no Mundo Contemporâneo. Tradução de Alexandre Martins. Rio de Janeiro: Record, 2004.)

A vida econômica turca foi talvez a área que mais sofreu impactos com a globalização cultural. Desde os anos 80 a economia da Turquia foi exposta à globalização do capital e do comércio, tendo sido reorganizada com base na primazia do mercado global sobre o doméstico. Em conseqüência disso, cresceu na última década o discurso de livre mercado, a multiplicação e a disseminação dos atores econômicos e a pluralização das organizações econômicas na sociedade turca.

Durante esse período o Islã começou a funcionar como código econômico aberto à ideologia de livre mercado, criando sua própria organização econômica baseada nos princípios de conhecimento racional e técnico e especialização. Dessa forma, o Islã é articulado com a ideologia de livre mercado, expresso na criação da Associação de Industriais e Empresários Independentes (Musiad). Essa organização é classificada como “islâmica” por estar ligada a seitas e comunidades religiosas, por ter o Islã como referência significativa em suas atividades, e por ter fortes ligações com o Islã político.

O sucesso da Musiad está em sua capacidade de congregar muitos negócios, de diferentes escalas, em diversas regiões da Turquia, e criar uma rede econômica baseada na confiança entre os crentes. Pode-se, dessa forma, entendê-la através da coexistência com o modelo ocidental de comportamento organizado. Entende-se, então, que a Musiad criou uma base econômica para o discurso islâmico.

Outros dois grupos são importantes para que se discuta os impactos da globalização cultural na Turquia; o Tusiad, ou Associação de Industriais e Empresários Turcos, que foi o principal ator econômico do desenvolvimento capitalista do país desde os anos 70, e o Siad, ou associação de Industriais e Empresários, que conquistou qualidade institucional com a associação de seus membros com diferentes cidades e províncias da região da Anatólia.

Na área da cultura popular, a globalização é entendida como um processo que leva à coexistência entre o global e o local, antes do que ao choque entre eles. Por exemplo, ainda que a escolha de canais de televisão seja feita primeiramente através do processo de significação e identidade, a mudança nos padrões de consumo possibilitou a aceitação, em grande parte, da universalização da cultura de consumo ocidental.

244377A globalização é também entendida como aquela que cria as bases adequadas para o reforço das tradições culturais do país. Dessa forma, não se associa mais o Islã a uma postura retrógrada e avessa as mudanças. O que ocorre é justamente o oposto, tendo a identidade islâmica expressa na moda, na arte, no turismo e na música, integrando-se com a cultura do shopping center.

Nesse contexto, a globalização também é entendida como um elemento positivo para a revitalização das formas de arte local, os objetos e signos culturais, criando assim uma vida cultural mais plural e democrática. Ao mesmo tempo, é importante sua colaboração para expressar as diferenças por meio do discurso da tradição, da localização e da autenticidade, já que é pela globalização do local que uma vida cultural plural passa a existir, possibilitando a democratização da Turquia.

Dessa forma, conclui-se que é mais pela coexistência do que pelo choque a forma a qual se apresentam as interações entre o local e o global.

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