As barricadas do desejo

A revolta de estudantes franceses e suas barricadas em maio de 68 não são eventos isolados. Podemos entender, nesse mesmo contexto, a primavera de Praga, a passeata dos 100 mil no Brasil, o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, entre outros. O que ocorreu na França foi uma tentativa de resignificar as utopias sociais, pois todos os modelos pré-fabricados haviam se mostrado falhos. Parte-se então do princípio que se deve começar de novo, começar do zero.

A geração do maio é uma geração já curada dos traumas da segunda guerra, não havia vivido os horrores do conflito. O que se sentia era a aversão à polarização, à ameaça nuclear e a violência simbólica a qual estavam submetidos. Até ali, as alternativas políticas tradicionais para a sociedade pareciam esgotadas. Tanto que o conteúdo político do maio não se adequará nem à direita, nem à esquerda marxista. Tanto um lado quanto outro iriam criticar o movimento. Faltou apontar um sentido, um projeto futuro. “O que querem os estudantes?” perguntará o historiador comunista Eric Hobsbawm. E é exatamente nessa direção que aponta o movimento do maio. Não se conhece o caminho, apenas não se quer o presente, o que está posto. Não se sabe como mudá-lo, apenas demonstra-se a insatisfação e o esgotamento da divisão direita-esquerda, do tradicionalismo dos modelos, das políticas. Os estudantes do maio de 68 não tinham projeto, apenas sabiam o que não queriam.

Havia certa influência maoísta no movimento. Os estudantes viam o líder chinês com certa esperança, por representar uma experiência diferente da soviética.  Lembrando que o maio francês coincide com a revolução cultural chinesa.

Entretanto a grande influência veio de Herbert Marcuse. Em suas obras “The unidimensional man” e “Eros e civilização”, o autor critica a tecnocracia tanto capitalista quanto comunista. A qual fusionaria o indivíduo ao Estado, ao partido, ou ao mercado. Marcuse entende que se no século XIX ocorre uma repressão física para geração de mão de obra dócil (Foucault), no século XX os operários tem acesso à informação – o que pode fragilizar o sistema – devendo o capitalismo mutilar o desejo por outras coisas que não o trabalho. Em uma análise que recorre a Freud, Marcuse afirma que o preço da civilização é a repressão a Eros (desejo).  Segundo o autor, os operários seriam incapazes de utilizar seu desejo para outras coisas que não o trabalho, impossibilitando ou desprovendo os trabalhadores de direcionar seus desejos para a revolução. Podando a criatividade do ser humano de fazer política. Marcuse afirma que cabe ao “Lumpen” (marginais) e principalmente, à juventude, a revolução. Essa não mais econômica, mas cultural, e fundamentalmente erótica.

Essa dupla crítica também está presente no maio. No modelo capitalista os estudantes vêem um autoritarismo técnico-industrial que aniquila o indivíduo através do capital. E no modelo socialista soviético, um caso semelhante, porém com o Estado anulando o indivíduo. Tenta-se assim, com o maio, reinventar a forma de se fazer política, através da criatividade, da imaginação e do desejo. Em suma, restituindo o indivíduo e seu desejo à política, erotizando-a.

Outro autor lido pelos estudantes do maio, Guy Debord, anarquista, afirmava que o capitalismo tudo transformou em espetáculo, esvaziando tudo de seu conteúdo político. O autor propõe assim um movimento de rebeldia que levasse em conta a situação, e que fosse rápido o suficiente para que o capital não o desprovesse de seu conteúdo político. O maio se encaixa nessa descrição.

A falta de liderança do movimento estudantil de maio de 68 reforça seu caráter espontâneo, e desonera os estudantes de apresentar um projeto político. O que era para propor reformas na academia (motivo inicial do movimento), acabou sem reforma alguma, e virou uma desculpa para dar início a uma demonstração de insatisfação tamanha, que sacudiu o mundo.

A geração do maio é uma geração já curada dos traumas da segunda guerra, não havia vivido os horrores do conflito. O que se sentia era a aversão à polarização, à ameaça nuclear e a essa violência simbólica a qual estavam submetidos. Até ali, as alternativas políticas tradicionais para a sociedade pareciam esgotadas. Tanto que o conteúdo político do maio não se adequará nem à direita, nem à esquerda marxista. Tanto um lado como outro irá criticar o movimento. Faltou apontar um sentido, uma direção, um projeto futuro. “O que querem os estudantes?” perguntará Hobsbawm. E é exatamente nesse sentido que aponta o maio. Não se conhece o caminho, apenas não se quer o presente. Não se sabe como mudá-lo, apenas demonstra-se a insatisfação e o esgotamento da divisão direita-esquerda, do tradicionalismo dos modelos, das políticas. Os estudantes de maio de 68 não tinham projeto, apenas sabiam o que não queriam.

É sentida uma influência maoísta no maio. Os estudantes vêem o líder chinês com certa esperança, por representar uma experiência diferente da soviética. Nota-se que o maio francês coincide com a revolução cultural chinesa.

Entretanto a grande influência veio de Herbert Marcuse. Em suas obras “The unidimensional man” e “Eros e civilização”, o autor critica a tecnocracia tanto capitalista quanto comunista. A qual fusionaria o indivíduo ao Estado, ao partido, ou ao mercado. Marcuse entende que se no século XIX ocorre uma repressão física para geração de mão de obra dócil (Foucault), no século XX os operários tem acesso à informação – o que pode fragilizar o sistema – devendo o capitalismo mutilar o desejo por outras coisas que não o trabalho. Em uma análise que recorre a Freud, Marcuse afirma que o preço da civilização é a repressão a Eros (desejo). Segundo o autor, os operários seriam incapazes de utilizar seu desejo para outras coisas que não o trabalho, impossibilitando ou desprovendo os trabalhadores de direcionar seus desejos para a revolução. Podando a criatividade do ser humano de fazer política. Marcuse afirma que cabe ao “Lumpen” (marginais) e principalmente, à juventude, a revolução. Essa não mais econômica, mas cultural, e fundamentalmente erótica.

Dessa Essa dupla crítica também está presente no maio. No modelo capitalista os estudantes vêem um autoritarismo técnico-industrial que aniquila o indivíduo através do capital. E no modelo socialista soviético, um caso semelhante, porém com o Estado anulando o indivíduo. Tenta-se assim, com o maio, reinventar a forma de se fazer política, através da criatividade, da imaginação e do desejo. Em suma, restituindo o indivíduo e seu desejo à política, erotizando-a.

Outro autor lido pelos estudantes do maio, Guy Debord, anarquista, afirmava que o capitalismo tudo transformou em espetáculo, esvaziando tudo de seu conteúdo político. O autor propõe assim um movimento de rebeldia que levasse em conta a situação, e que fosse rápido o suficiente para que o capital não o desprovesse de seu conteúdo político. O maio se encaixa nessa descrição.

A falta de liderança do movimento estudantil de maio de 68 reforça seu caráter espontâneo, e desonera os estudantes de apresentar um projeto político. O que era para propor reformas na academia (motivo inicial do maio), acabou sem reforma alguma, e virou uma desculpa para dar início a uma demonstração de insatisfação tamanha, que sacudiu o mundo.

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