O Romantismo

romantismo_04_jpg

No século XIX, após a derrota de Napoleão, a Europa se encontrava em certo aspecto pacificada, com suas fronteiras delimitadas. Um campo fértil para o surgimento do nacionalismo e do romantismo. Era hora de forjar para si uma identidade.

Definitivamente, o romantismo não pode ser descrito como um movimento, pois não possui coesão e homogeneidade, nem período correto para que possa ser delimitado com clareza. Sua influência extrapola o século XIX e avança rumo ao XX. Nem é tampouco uma estrutura de sensibilidades que se limita somente à arte, mas trata-se de uma visão de mundo notável também na filosofia, na história, na literatura, etc.

Podemos entender o romantismo dentro de dois contextos que se complementam. Em primeiro lugar, há um desencanto com o iluminismo e com a revolução francesa. A emancipação prometida parece não ter vindo de forma a solucionar os problemas sociais, pelo contrário, a razão iluminista parece ter vindo a favor da dominação, da opressão e da desigualdade. Em segundo lugar, há um protesto contra a civilização industrial. A tecnologia também falha, e o progresso que conduziria a uma sociedade melhor parece apenas frustrar. O romantismo, dessa forma, deve ser entendido como uma postura crítica frente à modernidade, não objetivando negá-la, mas propondo que o progresso desfaça as contradições existentes.

Nessa linha de raciocínio podemos incluir entre os românticos todos aqueles que desenvolveram utopias sociais. Em Marx, por exemplo, nota-se o caráter teleológico de seus textos, em que o progresso social e tecnológico teria de emancipar o homem. Marx é, dessa forma, além de romântico, iluminista. Entretanto, como o iluminismo sozinho não deu conta de responder às necessidades do homem, é ao nível dos sentimentos que se constitui o romantismo.

No Brasil, devido ao tardio desenvolvimento das cidades, inclusive de nossas capitais, essa crítica ao mundo moderno parece não aparecer, embora haja nas entrelinhas, nos amores impossíveis e no extravasamento dos sentimentos, uma frustração que também é cultural. Quer-se uma Paris, mas tudo que se tem é um Rio de Janeiro, quer-se uma musa que nunca é conquistada. O Rio é o limite.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s