Tempo, Disciplina de Trabalho e Capitalismo Industrial

Thompson

E.P.Thompson é um autor emblemático. Ao mesmo tempo em que se denominava marxista, sendo um dos fundadores da New Left inglesa, negava alguns dos dogmas mais tradicionais do grupo. Para ele, a metáfora da infra-estrutura, proposta por Marx, não daria conta de explicar a realidade. E uma mudança nessa perspectiva se fazia necessária. Não seria a economia um fator determinante sobre o cultural, mas justamente o contrário, a cultura teria um papel de orientar as mudanças históricas, e até econômicas. Dois conceitos são caríssimos à Thompson:

1. Experiência: O que possibilitou o desenvolvimento da classe operária não é mais entendido como uma ação determinante e externa da infraestrutura sobre o proletariado, mas pelo contrário, Thompson entende que a classe forjou para si uma experiência, ainda no século XVIII, que possibilitaria o seu constituir-se , o se fazer da classe (verbo make).

2. Tradição: Movimentos como o ludismo são entendidos como uma espécie de « rebeldia conservadora », uma tentativa de agir contra a modernização, e não mais como movimentos revolucionários. De forma alguma havia articulação política ou unidade na resistência às transformações. A classe operária resistiria cotidianamente, apenas apegando-se à tradição e aos valores do passado.

Para Thompson a percepção e apreensão do tempo não são sentidos de forma natural, mas através da cultura. Trata-se de uma experiência histórica, forjada coletivamente. Com a revolução industrial, e a popularização do relógio, o tempo começou a ser controlado minuciosamente, tornando-se instrumento de controle e disciplina fabril. Entretanto, para que se institucionalize o tempo uma série de conflitos culturais, e tentativas de resistência ocorrem, vencendo ao cabo a percepção forjada, burguesa. E o tempo definitivamente deixou de ser sentido de forma sideral, sendo logo moralizado, tornando-se sinônimo de dinheiro.

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3 opiniões sobre “Tempo, Disciplina de Trabalho e Capitalismo Industrial”

  1. sou estudante de historia estou cursando o 4ºperiodo estou usando tompson com rederencial teorico, minha dissertação, sera sobre o futebol amador, no qual foi difundido em curitiba pelosoperarios gostaria de usar o tempo para o lazer isso usarei thompson que vc acha?

    1. Acho bacana – muito bacana inclusive -, mas não posso te responder sem dar uma olhada nas fontes. O que você tem na mão? Qual sua problemática e qual o recorte histórico? Um abraço,
      Orlando.

      P.S. Não foi você que postou um tópico no forum da comunidade do Coxa no orkut? Qual sua universidade?

  2. Eu terminei ressentimento de ler a obra “A formação da classe operária inglesa” de Thompson e não acho que ele considere a cultura como orientador ultimo do desenvolvimento histórico ou econômico. O que ele crítica veementemente é o mecanicismo do determinismo econômico.

    Minha interpretação dele foi a seguinte: As mudanças históricas não podem ser compreendidas como um simples produto de fatores econômicas ou mesmo de questões culturais, mas são resultado do choque (não sei se esse termo é o melhor para a descrição) entre essas duas condições. É absurdo defender, por exemplo, que a adesão dos trabalhadores ao socialismo de Owen é uma derivação direta e lógica da crescente exploração sobre a classe trabalhadora durante a revolução industrial. Para Thompson, se eu o entendi bem, as lutas dos trabalhadores, que tiveram vários momentos, entre os quais as experiências das comunidades socialistas inspiradas em Owen, não são respostas lógicas, mas mediadas pela experiência cultura desses trabalhadores. Assim, suas reivindicações, seus ideias e até suas formas de organização não são suficientemente compreendidas se tomadas como derivações diretas das condições contra as quais eles se defrontam, sendo, antes, mediadas pela experiência desses próprios trabalhadores.

    Por exemplo: Ao questionar uma explicação “economicista” para o movimento ludista (que o considerava uma efeito lógico das péssimas condições dos trabalhadores com a depressão econômica provocada pelo bloqueio de napoleão à Inglaterra), Thompson escreve: “…isso não basta como explicação do ludismo; PODE AJUDAR A EXPLICAR SUA OCORRÊNCIA, MAS NÃO A SUA NATUREZA.”. Ou seja, o ludismo realmente responde as chamadas “condições materiais” nas quais os trabalhadores estão inseridos, mas sua natureza, sua forma, não são derivações naturais dessas condições, mas mediadas pela experiência desses trabalhadores,

    Na minha opinião ele repõe a dialética em seu devido luga, depois dela ter sido descartada pelo “marxismo tradicional” e substituída pela perigosa, e historiograficamente infrutífera, lógica da causa/efeito.

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