Mazelas da Colonização: O contexto da independência de Ruanda

Ao contrário dos seus vizinhos, Ruanda, não teve a sua “sorte” decidida na Conferência de Berlim. Sendo entregue à Alemanha somente em 1890. Após a Primeira Guerra Mundial, entretanto, o protetorado foi entregue à Bélgica por mandato da Liga das Nações.

Quando os colonizadores belgas chegaram à região, produziram carteiras de identidade classificando as pessoas de acordo com sua etnia. As etnias tutsis e hutus surgiram em grande medida pela divisão criada de uma só população pelos colonizadores belgas, distinção que era baseada em critérios muito diversos como altura e formato do nariz. Tanto do ponto de vista da lingüística como da cultura, não havia distinção entre hutus e tutsis. Porém, pensa-se que a divisão entre estes dois grupos tem raízes sociais, uma vez que os tutsis haviam sido a classe política dominante da região desde o século XV, situação que foi mantida pelos belgas.

Os tutsis durante muito tempo desfrutaram de empregos e oportunidades de educação melhores do que os vizinhos hutus. Dessa forma, o ressentimento entre os hutus foi crescendo gradualmente e culminou em uma série de revoltas em 1959. Mais de 20 mil tutsis foram mortos e muitos fugiram para países vizinhos como Burundi, Tanzânia e Uganda.

Ainda em 1959, sob circunstâncias misteriosas, o rei tutsi Mutara III acabou falecendo após tomar uma vacina. O rei que o sucedeu, chamado Kigeli V, assumiu o trono no mesmo ano, mas acabou permanecendo por muito pouco tempo no poder, apenas dois anos, pois Dominique Mbonyumutwa, líder hutu, assumiu o poder após depor o monarca, que se exilou na Tanzânia.

Quando a Bélgica deixou o poder e deu independência a Ruanda em 1962 (seguindo o referendo realizado pela ONU em 1960), os hutus, que detinham o poder, tomaram várias medidas de repressão contra os tutsis, tais como confisco de bens, deslocamentos populacionais e até medidas de cunho racistas como a proibição de casamentos mistos entre ambas as etnias. Essas medidas durante muitos anos deixaram Ruanda à beira de uma guerra civil.

Em 5 de Julho de 1973, o general Juvénal Habyarimana, que era ministro da defesa, destituiu o seu primo Grégoire Kayibanda, dissolveu a Assembléia Nacional e aboliu todas as atividades políticas, se mantendo no poder até 1994. Entretanto, em 1990, uma série de problemas econômicos gerou conflitos internos e a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), dominada por tutsis refugiados nos países vizinhos lançou ataques militares contra o governo hutu, a partir do Uganda. O governo militar de Habyarimana respondeu com programas genocidas contra os tutsis. Em 1992 foi assinado um cessar-fogo entre o governo e a RPF na Tanzânia.

Em Abril de 1994 Habyarimana foi assassinado quando o seu avião foi atingido ao aterrissar em Kigali. Durante os três meses seguintes, os militares e milicianos mataram cerca de 800000 tutsis e hutus, naquilo que ficou conhecido como o Genocídio do Ruanda. Ainda trabalha-se para julgar os culpados pelo massacre. Até 2001, 3 mil foram julgados, com 500 penas máximas.

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