O pensamento filosófico da Alemanha no século XIX

O pensamento filosófico da Alemanha no século XIX pode ser compreendido numa dialética entre sua contemporaneidade e – ao mesmo tempo – não contemporaneidade. Pensam-se as mudanças que ocorrem na França – no âmbito político – e na Inglaterra – no âmbito econômico, sem poder efetivamente realizar ação alguma. As realidades – francesa e inglesa – revelam um “atraso alemão”. Marx constata que a Alemanha não havia passado pelo estágio intermediário do desenvolvimento das nações modernas, pois não havia coesão entre as classes, de forma que só poderia ocorrer uma revolução se uma classe determinada fosse efetivamente oprimida por outra. Isso ocorre quando Marx toma conhecimento de estudos socialistas como o de Proudhon, e quando Engels lê os economistas ingleses. O contato com essas realidades diferentes da Alemanha exerce um efeito catalisador sobre os dois filósofos, que iria dar subsídios para o desenvolvimento da concepção materialista de história.

Em “Crítica da filosofia do direito de Hegel”, Marx afirma que a crítica à religião se completou na Alemanha. Refere-se aos trabalhos dos jovens hegelianos – em especial o de Ludwig Feuerbach em “A essência do cristianismo”– que expuseram o conteúdo da religião como conteúdo humano. Marx inverte o sujeito e o objeto ao afirmar que o homem criou Deus e não Deus criou o homem. Para Marx essa crítica à religião é o pressuposto de toda a crítica, pois sem que se quebrem essas bases não poderia haver transformação no Estado, que até ali era legitimado em grande parte pela religião. O homem deveria deixar com que a Razão dominasse seu pensar, permitindo a construção de uma sociedade antropocentrista par excellence, sem que elementos externos – no caso Deus e a Igreja – pudessem destituir dele o poder de mudar o próprio destino. É desse texto a famosa afirmação de Marx: “A religião é o ópio do povo”. Para o filósofo, as almejadas mudanças sociais só seriam viáveis quando o homem tomasse as rédias de sua vida como sujeito autônomo. Os écos históricos do péssimo exemplo da Igreja  medieval – e das posteriores guerras religiosas – como instrumento de dominação social não deixaram espaço para a religião no pensamento iluminista de Marx.

Para saber mais:

MARCUSE, Herbert – Razão e Revolução. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1978.

MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2005.

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