O Modernismo: Raízes e rupturas

No contexto internacional das transformações, e da aceleração do processo urbano industrial, marca  principal do final do século XIX, os intelectuais do Brasil buscavam definir a especificidade de ser brasileiro.

“O que é tempo? É a brisa fresca e preguiçosa de outros anos ou esse tufão impetuoso que parece apostar corrida contra a velocidade?” (Machado de Assis: 1894).

A Guerra do Paraguai – maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul – representou um divisor de águas para a geração de intelectuais de 1870. Por intermédio das obras desses pensadores é possível identificar a mudança de percepção e sensibilidade sociais, traduzidas pelos desejos de mudanças estruturais em nossa política. Um dos marcos da modernização brasileira é o Manifesto Republicano de 1870. Entre esses intelectuais destacavam-se Euclides da Cunha, Tobias Barreto, Silvio Romero, Graça Aranha e Capistrano de Abreu.

A nacionalidade era a matéria-prima que deveria ser trabalhada pelo saber científico. Ser moderno implicava obter o significado de ser brasileiro, se reconhecer como nação, conhecer seu passado, sua brasilidade, longe de uma história européia de domínio português. Marcam desse período vários estudos sobre as diversas etnias, que buscavam encontrar uma identidade nacional. Entretanto, prevalecia ainda uma visão de darwinismo social – estágios de desenvolvimento – sendo que era entendido como missão, para os intelectuais, dirigir o processo de desenvolvimento e nacionalidade. Isso só poderia ocorrer mediante o reconhecimento da pluralidade e do recenseamento da nossa cultura.

É necessário compreender que, entre o pensamento dos intelectuais de 1870, e os da geração de 1920 há uma continuidade filosófica.  Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, entre outros, produzem suas obras dentro de um contexto já em desenvolvimento desde metade do século XIX. Embora a primeira geração seja caracterizada pelo autoritarismo no que concebe a organização social, ela ja demonstrava a presença de uma sensibilidade modernista – desbravando outros Brasis – e que deve ser entendida como vínculo fundamental tanto com os intelectuais paulistas como com os intelectuais caricaturistas do Rio de Janeiro que utilizavam o humor como instrumento de crítica –  este último grupo composto por nomes como os de Emílio de Menezes, Lima Barreto, José do Patrocínio, etc.

Algumas definições importantes:

  • Modernidade: Etapa Histórica.
  • Modernização: Processo sócio-econômico que constituirá a modernidade.
  • Modernismo: Processos culturais que renovam práticas simbólicas com sentido experimental ou crítico

Para saber mais: VELOSO, Monica P. O Modernismo e a questão nacional. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucila de A. N. O Brasil Republicano: o tempo do liberalismo excludente. 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. p. 253-385.

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