Fauvismo

Les Fauves – ou as “feras” – foi a denominação dada a um grupo de pintores do início do século XX, que tinham em Henri Matisse seu maior expoente. Os fauves empreenderam a liberdade de expressão ao se utilizarem de cores puras – resgatando o traço livre de características infantis – em “uma síntese do que os pós-impressionistas tinham a oferecer, livremente manipulada num exercício pessoal”.

Não havia, entretanto, entre os fauves, uma teoria coerente de arte ou um programa artístico que possibilitasse homogeneidade ao grupo. Não havia direção, pois eram independentes uns dos outros, ainda que Matisse exercesse papel de vanguarda. Segundo Argan, “os fauves não dispunham de uma bandeira ideológica; sua polêmica social estava implícita em sua poética”.

Os fauves beberam de fontes diversas. Entre os precursores do movimento podemos citar Van Gogh, Tolouse Lautrec, Gauguin, entre outros. Com sua liberdade de cor, e livre interpretação de temas familiares, aproximaram-se da arte africana, asiática e primitiva. Buscavam reagir contra a ortodoxia, na tentativa de criar algo novo, utilizando as cores e a deformação em proveito de uma nova harmonia pictórica, impondo vontade própria à pintura e expressando efetivamente toda sua subjetividade.

Os fauves queriam realçar o caráter autônomo e auto-suficiente do quadro como realidade em si. Opondo-se, efetivamente, aos impressionistas, na medida em que invertiam o sentido da pintura. Antes o movimento se dava do exterior para o interior, através da impressão; porém, a partir de então, os fauves buscaram inspiração de seu interior para o exterior, o sujeito deveria, por si só imprimir seu objeto, que não era mais um reflexo da coisa, mas uma coisa por si só.

Tudo o que era exótico interessava aos modernos artistas, que buscavam novas abordagens pictóricas. A invenção da fotografia foi um aspecto que fez com que os artistas buscassem nas cores vivas, na abstração, na arte primitiva, no desenho infantil, etc., dar novo sentido à produção artística do período. Tudo era vanguarda, nada era homogêneo. Os movimentos artísticos desse período se caracterizaram pela simplificação da imagem e pela obra fortemente impregnada de emoção. Caracterizaram formas de expressão espontâneas em que, por muitas vezes, figura e fundo misturavam-se par a dar voz ao artista, se desprendendo da representação do real – como queria a arte acadêmica. Demonstraram preocupações sociais, e aproximaram a arte das pessoas comuns.

Para saber mais:
WHITFIELD, Sarah. Conceitos da arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.
CHIPP, H. B. Teorias da arte moderna. São Paulo: Martin Fontes, 1988.
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. São Paulo: Editora Cia das Letras, 1992.
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4 opiniões sobre “Fauvismo”

    1. “os fauves não dispunham de uma bandeira ideológica; sua polêmica social estava implícita em sua poética”.

      Está no texto 🙂

  1. oi, estou fazendo meu tcc sobre o fauvismo, e estou com uma duvida, pois a professora corrigiu minha monografia, e ela falou que está faltando citar uma característica própria do fauvismo, algo que só ele teve e nenhuma outra vanguarda teve… vc saberia me dizer??

    1. Não seria a obra como uma realidade em si mesma? – para além de uma representação? Dá uma olhada na bibliografia do post. Quem sabe nas fontes você encontre sua resposta. Boa sorte e um abraço, Orlando.

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