A Mesoamérica antes de 1519

Em seu texto “A Mesoamérica antes de 1519”, Miguel Portilla afirma que os povos da Mesoamérica têm grande parte de sua história antes do primeiro contato com os europeus, “o México, a Guatemala, El Salvador, Honduras e, em menor grau, a Nicarágua e a Costa Rica, assim como o Equador, o Peru, e a Bolívia nos Andes centrais, têm suas raízes profundamente enterradas no subsolo de suas civilizações pré-colombianas”.

“Em várias partes do México central e meridional e na América Central, começaram a proliferar aldeias de agricultores e artesãos de cerâmica”. Muito cedo essas aldeias experimentaram um grande aumento demográfico embora muitas divergissem étnica e lingüisticamente. Desde muito cedo o grupo dos olmecas se destacou dos demais. Até onde sabemos, eles foram os primeiros a construir grandes complexos de construções, principalmente para fins religiosos.

O maior centro dos olmecas foi La Venta, erigida numa pequena ilha a poucos metros acima do nível do mar. O centro havia sido cuidadosamente planejado, “incluía pirâmides rebocadas de barro, túmulos circulares e alongados, altares entalhados na pedra, grandes compartimentos de pedra, fileiras de colunas de basalto, tumbas, sarcófagos, estelas, colossais cabeças de basalto e outras esculturas menores”.

Segundo o autor, é possível supor algum tipo de divisão de trabalho. “Enquanto muitos indivíduos continuaram a trabalhar na agricultura e em outras atividades de subsistência, outros se especializaram em artes e ofícios diferentes, em garantir a defesa do grupo, em empreendimentos comerciais, no culto aos deuses e no governo, que estava provavelmente nas mãos dos chefes religiosos”.

Na religião os olmecas adoravam um deus-jaguar, que mais tarde seria o deus-chuva da Mesoamérica. Cultuavam os mortos e criam na vida após a morte. Provavelmente deve-se aos olmecas o início do calendário e da escrita na Mesoamérica.

A cultura dos olmecas se difundiu em localidades diferentes, muitas delas longe dos centros de origem, o que sugere o caráter de alta cultura-matriz. Sua influência se deve ao comércio e ao seu empenho religioso “missionário”.

Segundo o autor, os muitos avanços dos olmecas não significaram o desaparecimento de algumas grandes limitações dos povos da Mesoamérica como a não utilização prática da roda, a ausência (até cerca de 950 d.C.) de qualquer tipo de metalurgia, e a falta de animais passíveis de domesticação. Não tinham cavalos nem gado bovino. Com exceção dos perus para alimentação, somente os cachorros faziam companhia ao homem.

Entretanto essas limitações iniciais não limitaram o desenvolvimento posterior dos povos mesoamericanos. Teotihuacán, a “metrópole dos deuses”, é um bom exemplo do apogeu da civilização clássica no planalto central. Além das duas grandes pirâmides e do templo de Quetzalcóatl, foram descobertos ainda palácios, escolas e diferentes tipos de construção. “Extensos bairros, onde os membros da comunidade tinham suas residências, rodeavam o centro administrativo e religioso mais denso. As avenidas e ruas eram pavimentadas, e havia um sistema de drenagem bem planejado. As pirâmides, os templos, os palácios e a maioria das casas dos governantes ou dos membros da nobreza eram decorados co0m pinturas murais nas quais estavam representados deuses, pássaros fantásticos, serpentes, jaguares e várias plantas”. Teotihuacán, em seu apogeu por volta dos séculos V e VI d.C. se estendia por cerca de vinte quilômetros quadrados e contava com uma população de pelo menos 50 mil habitantes. De um ponto de vista político, parece que alguns desses centros urbanos estavam associados em vários tipos de “confederações”.

Na sociedade maia clássica havia dois estamentos sociais claramente distintos: o povo comum (ou plebeus), e o grupo dominante, composto por governantes, sacerdotes e guerreiros de alta posição. Temos conhecimento também dos calendários maias que tinham altíssima precisão, o cálculo de tempo de ano maia chegava a ser mais preciso que o cálculo dos europeus, e muito antes ainda que os hindus, já haviam desenvolvido o conceito de zero, e um símbolo para denota-lo. O apogeu das civilizações clássicas da Mesoamérica foi alcançado com os maias.

Até hoje não se tem mais do que hipóteses para explicar o declínio e abandono das esplendidas metrópoles antigas. É como se houvesse chegado um momento irreversível quando os sacerdotes deixaram de construir estelas, e o povo começasse a abandonar as cidades. Não sinais de uma mudança climática, catástrofe agrícola, epidemia geral nem incêndios ou ataques externos.

Entre os povos que haviam se beneficiado desse legado clássico da Mesoamérica encontram-se grupos que exerceram um poder considerável até a chegada dos espanhóis; muitos deles localizados muito além dos territórios sujeitos a Teotihuacán. “Os que viriam mais tarde a se chamar toltecas devem ser incluídos como colonizadores dos postos avançados”.

Uma figura central na história dos toltecas é o famoso Quetzalcóatl, que tirou seu nome de um deus (a serpente emplumada) cultuado desde os dias de Teotihuacán. Não está claro o que provocou o fim da idade de ouro dos toltecas, mas sua ruína significou a difusão de sua cultura entre diversos povos distantes.

Não obstante alguns pequenos reinos como Chichén Itzá e Uxmal, os maias não haviam recuperado seu antigo esplendor. Quando grupos de origem tolteca chegaram a Yucatán, logo dominaram os maias. Por conseqüência houve uma nova mistura de povos e culturas. Porém nem mesmo o novo sangue e os novos elementos culturais produziram um avivamento do mundo maia. “Seu destino era sobreviver, mas sem esplendor, até a época da conquista espanhola, que foi concluída em 1525 na Guatemala e em 1546 em Yucatán”.

“O abandono total de Tula [principal centro tolteca], como havia acontecido com a ruína anterior de Teotihuacán, facilitou a entrada no vale do México de grupos provenientes de além-fronteira, norte da Mesoamérica. Dessa vez, os bárbaros chichimecas foram os primeiros a penetrar no que havia sido o domínio dos toltecas”. Os chichimecas logo se depararam com pequenos grupos de toltecas que haviam ficado para trás. Embora a princípio o relacionamento entre toltecas e chichimecas não tenha sido muito amistoso, logo se desenvolveu uma aculturação, embora seja importante citar que os chichimecas seriam muito influenciados pela alta cultura tolteca.

PARA SABER MAIS:

BETHELL, Leslie. História da América Latina Vol.1: América Latina Colonial.

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