O Islã do Ocidente os Muçulmanos na Espanha

A Espanha foi para os árabes uma terra de exploração onde, freqüentemente, se contentavam em exercer uma dominação política. Ali encontraram o reino dos visigodos, marcado pela herança romana e as contribuições bárbaras.

Em 711 os visigodos foram derrotados na decisiva batalha de La Janda. Porém até 716 os chefes muçulmanos tiveram que lançar duras campanhas para finalmente destruir a resistência visigoda. Desde os primeiros tempos da conquista muçulmana a Espanha vive graves discórdias e guerras civis que opõem os dois clãs do exército conquistador: árabes e berberes. Os árabes se mantiveram pouco numerosos, algo em torno de vinte mil indivíduos. Os berberes, por sua vez, compõem a maioria, duzentos mil homens.

“Assim opõem-se duas Espanhas: a árabe, das planícies da Andaluzia e do Levante onde os orientais recuperam as culturas irrigadas dos hispano-romanos; e a berbere das montanhas e dos elevados planaltos. Oposição que ressalta as diferenças de gênero de vida e mesmo de hábito: uso do turbante nas regiões de montanha, do alto barrete oriental em Córdoba e no Levante”.

Os Abássidas formaram uma dinastia árabe reinante que destronaram os Omíadas em 750 e passaram a governar o Califado desde Bagdá. Abd-er-Rahman, príncipe da família dos Omíadas, escapara dos massacres ordenados pelos Abássidas, e em 755 desembarca com seu exército na região de Granada. “Havia ele tentado em vão obter um reino na região de Maghreb. Na Espanha, porém, apoiado por alguns contingentes árabes, prevalece e garante seu triunfo na batalha de La Alameda”. Entra solenemente em Córdoba onde assume o título de emir dos crentes e proclama a ruptura entre a Espanha muçulmana e os novos califas de Bagdá.

Mesmo em meio a conflitos, o califado de Córdoba se sustentaria com um prestígio ainda maior que o dos califas de Bagdá. A esplendida mesquita de Córdoba exalta o poder do reino, o mais rico sem dúvida e o mais brilhante de todo o mundo ocidental.

Os sucessores de Abd-er-Rahman mantiveram a paz e, quando deveria reinar uma criança de dois anos, o poder passa para um jurista de origem iemenita. Sob o nome de Al Mansur exerceu uma verdadeira ditadura sobre a Espanha. Venceu os cristãos por várias vezes. Sua morte, porém, em 1002 deixa a Espanha desunida e anuncia o fim do califado Omíada de Córdoba.

“No século X, os autores árabes falam da Espanha como uma jóia, a terra privilegiada de todo o Islã”. A Andaluzia foi um dos grandes centros culturais do Islã, havia médicos, filósofos, juristas e astrônomos. Em Córdoba, os califas compravam grandes quantidades de manuscritos gregos e os mandavam traduzir para o árabe. No final do século X, sua biblioteca contava com mais de 40000 obras e seu catálogo, somente ele, com 44 volumes. “Al Mansur, entretanto, inquieto com o brilho das ciências profanas, e para garantir o apoio dos teólogos, manda queimar todas as obras filosóficas reunidas por seus predecessores”.

Desde 719, o governador omíada havia se fixado em Córdoba, que se torna assim a capital política da Espanha muçulmana. A cidade aumenta e enriquece sob Abd-er-Rahman I e três califados mais tarde a grande metrópole de todo o ocidente seria comparada pelos muitos viajantes gregos e latinos à bela Constantinopla.

A arte da Espanha muçulmana parece por muito tempo uma arte de exilados, de príncipes orientais que nessa terra longínqua sonhavam talvez em construir aí uma nova Síria. Esses califas permaneceram ligados as tradições de família e às lembranças da capital síria enquanto que a civilização abássida de Bagdá se desliga da herança síria e recebe  influências persas. Compõe as lembranças sírias refletidas na arte a herança romana e visigótica.

 O esfacelamento político:

A morte de Al Mansur deixou a Espanha entregue à oposição geral das famílias principescas. Em cada cidade um nobre mantém uma administração própria, sendo que nenhum nobre exerce autoridade sobre a totalidade do país. Esses pequenos reinos – ao todo 26 – são chamados de “reinos de taifas” que se chocam incessantemente em suas fronteiras. Dividida militarmente e enfraquecida, a Espanha conservava ainda a mesma civilização brilhante de outrora.

A invasão dos Almorávidas, berberes africanos, acabou por unificar a Espanha muçulmana, antes dividida entre os diversos reinos de taifas. A conquista não foi duradoura. Em 1147 os Almóadas, outro grupo de berberes, intervém militarmente e assumem o poder. Esse segundo império africano sucumbe, porém, sob os golpes dos cristãos em Las Navas de Tolosa em 1212.

Dos últimos reinos de taifas que haviam novamente se afirmado após a desintegração do império Almóada, somente o reino de Granada permanece nas mãos dos mouros, porém como vassalo de Castela. A sobrevivência de Granada explica-se principalmente pelo esgotamento da reconquista e pelos laços econômicos entre os muçulmanos da Espanha e os sultões merínidas do Marrocos. Era através de Granada que a Espanha recebia trigo da África.

Em 1492 Granada é reconquistada pelos Reis Católicos, Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão e põe fim a oito séculos de domínio muçulmano na Península Ibérica.

Anúncios

3 opiniões sobre “O Islã do Ocidente os Muçulmanos na Espanha”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s