Fernando Henrique Cardoso: O pensador e os pensadores

13540_ggO ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi eleito na quinta-feira, 27 de junho, em primeira votação, como novo membro da Academia Brasileira de Letras. Recebeu 34 dos 39 votos possíveis, e um acadêmico se absteve.

Sua eleição coincidiu com o lançamento de um interessante livro que se soma à sua vasta e fecunda obra — algo que não se pode dizer de alguns acadêmicos, como, por exemplo, o ex-vice-presidente Marco Maciel, do qual provavelmente nem os colegas acadêmicos são capazes de mencionar um único titulo.

FHC tem duas dezenas de obras publicadas.

Resenha de Julia Carvalho, publicada em edição impressa de VEJA

O PENSADOR E OS PENSADORES

Em uma coletânea de ensaios, Fernando Henrique Cardoso revisa os intelectuais que o formaram

Político habilidoso na formação de alianças que possibilitaram a grande arrancada modernizante do país, Fernando Henrique Cardoso nunca abandonou por completo o pensamento acadêmico.

Foi, à sua maneira, um presidente-sociólogo. “Sempre tive reservas à política com ‘p’ minúsculo, da articulação, do jogo. Participei dela quando precisei, mas, como sou sociólogo, era a grande política que realmente me interessava”, disse a VEJA.

Em seu novo livro, Pensadores que Inventaram o Brasil (Companhia das Letras; 336 páginas; 39,50 reais, ou 27,50 reais na versão eletrônica), o ex-presidente mescla sua excepcional capacidade de análise com um toque de memorialismo para escrever sobre intelectuais que, como ele, pensaram sobre o Brasil.

O livro reúne dezoito ensaios que analisam a obra de dez pensadores brasileiros, de Joaquim Nabuco a Celso Furtado. Entre esses textos, há material inédito e artigos, prefácios e conferências já publicados, mas revisados para a coletânea.

Um dos perfis que vêm à luz pela primeira vez é “Um crítico do estado: Raymundo Faoro”, dedicado ao autor de Os Donos do Poder. Nomes importantes da história intelectual do país, como Rui Barbosa e Oliveira Viana, ficaram de fora.

Explica Fernando Henrique: “Não é um livro que narra a história do pensamento brasileiro. Meu intuito foi apenas falar sobre grandes autores que me influenciaram, na sociologia ou na política. É um livro muito pessoal”.

Fernando Henrique conviveu com a maioria dos autores que agora analisa. Foi aluno de Antonio Candido e de Florestan Fernandes – de quem mais tarde foi vizinho e assistente – na Faculdade de Filosofia da USP. Dividiu casa com Celso Furtado durante o exílio no Chile. Sérgio Buarque de Holanda fez parte da banca que examinou seu doutorado, e Faoro foi seu companheiro na militância contra o regime militar.

Essa familiaridade não só com a teoria mas também com os autores resulta em uma combinação deliciosa. Em uma passagem, Fernando Henrique descreve o temperamento explosivo de Florestan, que certa vez gesticulou “com tal força numa reunião em Nova York, no Council of the Americas, que os americanos presentes me perguntaram: mas o que é isto? Porque o gesto não tinha correspondência na cultura americana”.

Os autores examinados são já tidos como clássicos. Por isso, como observa o historiador José Murilo de Carvalho no posfácio, o ensaísta às vezes repisa concepções consolidadas no meio acadêmico – mas sempre com um toque pessoal que esclarece conceitos, desvenda teorias, ilumina questões complexas.

Através do exame desses grandes pensadores do Brasil, tem-se um vislumbre do presidente-sociólogo.

Extraído de VEJA.

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