A Filosofia da adúltera: Ensaios selvagens – Pondé

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“A Filosofia da adúltera: Ensaios selvagens” de Luiz Felipe Pondé. Eu gosto muito do Pondé, não acho que seja um “intelectual bufão” como Llosa enxerga os modernos filósofos da mídia. Acredito que há um meio termo entre a dureza intelectual das obras acadêmicas e a vida não acadêmica daqueles que permanecem fora da esfera das Ciências Humanas nas suas realidades. Há um espaço – muitas vezes preenchido de forma anárquica por fraquíssimos livros de autoajuda que deveria ser considerada pela filosofia de forma mais enfática. Boas análises podem ser embasadas e, ao mesmo tempo, lançar mão do humor, da literatura, da realidade. Dessa forma, se tira das academias o monopólio do pensamento intelectual, fazendo surgir mais locais de proliferação da filosofia, da sociologia, etc. Por isso gosto do Pondé. Acho um dos corajosos que deixa a hipocrisia do lado de fora. “A Filosofia da adúltera” é um trabalho delicioso. Há reflexões pontuais sobre a democracia, as ciências sociais, a política, a educação, sobre mídia e cultura, sobre feminismo e sexo – tudo com uma poderosa lente de realidade baseada no pensamento de Nelson Rodrigues. Além disso, traz os desdobramentos do arquétipo da mulher adúltera, na sociedade brasileira contemporânea, como representação da condição humana, da escravidão mental, do tédio da repetição, da tristeza da mentira social. Que mais poderia pedir além disso? Gostei muito, talvez mais do que o “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia” – que também é muito bacana, por sinal.

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