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Dez evidências de que Deus existe

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  1. O universo não deveria existir

De acordo com alguns estudos, o universo não deveria ter sobrevivido mais do que um segundo. Por exemplo, o Big Bang deveria ter produzido quantidades iguais de matéria e antimatéria, cancelando-se mutuamente. Em vez disso, um pouco mais de matéria foi produzida, criando todo o universo observável. Nós, definitivamente, não podemos explicar por que isso aconteceu. Em outra teoria, o universo está no campo de Higgs, que dá às partículas suas massas. Um grande campo de energia impede que nosso universo caia no “vale”, um campo mais profundo, onde não poderia existir. No entanto, se o modelo padrão da física está correto, uma rápida expansão do universo imediatamente após o Big Bang deveria ter movido o universo para o vale. Isso o teria destruído antes que ele tivesse um segundo de idade.

A impossibilidade da vida na Terra também é absurdamente alta. Galáxias não poderiam existir sem a mistura certa de matéria, matéria escura e energia escura e, mesmo assim, existem. A Terra teria que ter a distância exata do sol que tem para abrigar vida. Se fosse um planeta do tamanho de Júpiter, a Terra atrairia mais asteroides e cometas, ou teria uma superfície muito violenta para sustentar a vida.

Será que a vida realmente superou “sozinha” todas essas probabilidades, ou o universo teve alguma ajuda, de alguma forma?

  1. A semente da vida?

Segundo a teoria da panspermia, de Francis Crick, a vida se originou em outro lugar e foi enviada à Terra por seres avançados. Uma teoria anterior da panspermia sugeria que a vida chegou aqui em um asteroide ou um cometa. Em julho de 2013, o astrobiologista Milton Wainwright afirmou que encontrou uma verdadeira “semente da vida”. Depois de lançar um balão meteorológico sobre a Inglaterra, ele capturou uma bola metálica da largura de um fio de cabelo. Dentro de sua concha de titânio e vanádio, a bola continha um líquido biológico pegajoso. Muitos cientistas são céticos a respeito dessa reivindicação.

  1. Busca alienígena biológica

Os seres humanos são constituídos por cerca de 22.000 genes, o que é 3% do genoma humano. Os outros 97% são “sobras de DNA”, que poderiam conter uma mensagem codificada ou um sinal de que a vida se originou em outro lugar ou foi criada por um ser superior. Em 2013, dois pesquisadores do Cazaquistão alegaram ter encontrado uma sequência ordenada de uma linguagem simbólica em nossas sobras de DNA que não teria acontecido naturalmente. No entanto, muitos criticaram essa busca por sinais biológicos. Alternativamente, o geneticista Francis Collins argumentou em seu livro A Linguagem de Deus que o DNA seria o “alfabeto de Deus”, o que faria de nós o livro da vida.

  1. Raios cósmicos

Em 2003, o filósofo Nick Bostrom postulou que o universo é uma simulação de computador, uma teoria aceita por Elon Musk e Neil de Grasse Tyson. Se isso for verdade, um ser superior – ou seres – teve que construir a simulação. O Universo seria também finito, porque todos os computadores têm limites. Alguns pesquisadores acreditam que poderíamos detectar essa simulação de computador se pudermos encontrar os limites do universo. Para testar isso, pesquisadores alemães construíram simuladores em rede em um computador quântico. Eles se concentraram em raios cósmicos, que são fragmentos de átomos que vêm de fora do sistema solar. Os raios cósmicos têm uma quantidade finita de energia e deterioram ao longo do tempo. Quando chegam à Terra, todos eles têm quantidades semelhantes de energia, que é um máximo de 10 elétron-volts. Isso sugere que todos os raios cósmicos têm pontos de partida semelhantes, como a borda da rede de simulação de um computador quântico.

  1. A propagação da vida

Em 2015, um estudo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica sugeriu que a vida poderia ter se espalhado via panspermia, se movendo de estrela em estrela em aglomerações e “sobrepondo-se como bolhas em uma panela de água fervente”. Essa simulação também sugere que a vida poderia ter se espalhado como uma epidemia. Os cientistas testaram duas possibilidades para trazer vida para a Terra: por asteroides e por seres inteligentes. O resultado foi que ambas eram possíveis e teriam seguido o mesmo padrão. Se estiver correto, esse estudo também indica que existe vida em outras partes da galáxia.

  1. Constantes físicas

De acordo com o físico teórico John D. Barrow, podemos dizer se o universo é uma simulação procurando por erros ou falhas nele. Barrow acredita que até mesmo civilizações avançadas não teriam conhecimento completo das leis da natureza. Haveria falhas notáveis na Matrix, tais como alterações nas constantes físicas. Essas são propriedades físicas, como a velocidade da luz, que são as mesmas em todos os lugares ao longo do tempo.

Em 2001, pesquisadores australianos encontraram evidências de que a velocidade da luz tem diminuído ao longo dos últimos bilhões de anos, mesmo que isso contradiga a relatividade geral. O astrônomo John Webb descobriu que a luz de um quasar tinha absorvido o tipo errado de fótons em sua jornada de 12 bilhões de anos até a Terra. Isso só pode acontecer se houve uma mudança na velocidade da luz ou na carga de um elétron, ambas constantes físicas. Pesquisadores mais céticos discordam dessa teoria. Independentemente disso, ninguém tem certeza por que as constantes físicas são constantes. Mas elas são fundamentais para a existência do nosso universo. Alguns cientistas especulam que as constantes físicas são evidências de que o Universo foi “afinado” para que a vida existisse.

  1. A Prova Ontológica de Godel

Na década de 1940, o físico Kurt Godel tentou provar a existência de Deus. Ela é baseada neste argumento do Santo Anselmo de Canterbury:

Há um grande ser chamado de Deus, e nada maior que Deus pode ser imaginado.

Deus existe como uma ideia na mente.

Com todas as outras coisas sendo iguais, um ser que existe tanto na mente quanto na realidade é melhor do que um ser que só existe na mente.

Portanto, se Deus só existe na mente, então é possível que podemos imaginar um ser mais poderoso do que Deus.

No entanto, isso contradiz a argumentação número 1, porque nada maior do que Deus pode ser imaginado.

Portanto, Deus existe.

Usando a lógica modal e universos paralelos, Godel argumentou que um ser todo-poderoso existe, se ele existe em pelo menos um universo paralelo. Como há um número infinito de universos com um número infinito de possibilidades, um universo tem um ser tão poderoso que seria considerado um Deus onipotente. Portanto, Deus existe.

Em 2013, dois matemáticos realizaram equações de Godel em um MacBook e descobriram que elas estavam corretas. No entanto, o teorema não prova que Deus existe – prova simplesmente que é possível que um ser todo-poderoso poderia existir de acordo com a lógica.

  1. A realidade não existe a menos que estejamos olhando para ela

Um videogame se desenvolve quando você está olhando para uma área particular. Caso contrário, ele não existe. A realidade é semelhante, porque só existem certos aspectos se estamos olhando para eles. Esse misterioso fenômeno é baseado na mecânica quântica. Objetos subatômicos são geralmente ondas ou objetos sólidos de partículas semelhantes. Raramente, eles podem ser ambos. Alguns exemplos incluem luz e objetos que têm uma massa semelhante à de elétrons.

Quando não estão sendo observados, esses objetos ficam em um estado duplo. Mas quando eles são medidos, eles “decidem” tornar-se uma onda ou um objeto sólido. Estes fundamentos da nossa realidade permanecem latentes até que olhamos para eles, o que não é muito diferente do mundo simulado em um videogame.

  1. Princípio holográfico

Em 1997, o físico teórico Juan Maldacena propôs que o nosso universo é um holograma bidimensional completamente plano que percebemos em três dimensões. Cordas minúsculas chamadas grávitons vibrariam para criar este universo holográfico. Se estiver correta, essa teoria ajudaria a resolver algumas diferenças entre a mecânica quântica e a teoria da gravidade de Einstein.

Alguns estudos mostram que um universo 2D é possível. Pesquisadores japoneses calcularam a energia interna de um buraco negro, a posição do horizonte de eventos e outras propriedades em um mundo 3D e, em seguida, calcularam as mesmas coisas em um mundo 2D sem gravidade. Os cálculos bateram. Outro modelo mostrou que o universo é 2D se o espaço-tempo for plano.

Os pesquisadores do Fermilab, nos EUA, estão usando um laser gigante para procurar “ruído holográfico”, que é uma evidência de “buffering” no cosmos. Se um universo holográfico 3D foi construído sobre um sistema 2D de linhas em movimento (como linhas de código), isso indica fortemente que o universo é uma simulação.

  1. Codificação no cosmos

De acordo com o físico teórico Sylvester James Gates, evidências convincentes sugerem que estamos vivendo em uma simulação. Enquanto trabalhava em equações de supercordas com adinkras (símbolos usados na álgebra super simétrica), Gates encontrou codificação criada pelo matemático Richard Hamming chamada “códigos de bloco duplamente equilibrados auto-dual lineares binários de correção de erros”. Gates questionou se esta codificação básica é de alguma forma responsável por controlar o universo.

No vídeo acima (em inglês), Gates diz que “[uma] conexão insuspeita sugere que estes códigos podem ser onipresentes na natureza e até mesmo incorporados na essência da realidade. Se isso é verdade, poderíamos ter algo em comum com os filmes de ficção científica Matrix, que retratam um mundo onde a experiência de cada ser humano é o produto de uma rede de computadores geradores de realidade virtual”.

(Listverse, via Hypescience)

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Evidências de uma consciência além do cérebro

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Neurociência é o estudo científico do sistema nervoso, um dos sistemas mais complexos do corpo humano. Tradicionalmente, a neurociência tem sido vista como um ramo da Biologia.[1] O termo “neurobiologia” geralmente é usado de modo alternado com o termo neurociência, embora o primeiro se refira especificamente à biologia do sistema nervoso, enquanto o último se refere à inteira ciência do sistema nervoso. Nos últimos anos, a Neurociência tem assumido sua posição materialista, há muito já implícita. O materialismo científico tem decretado a morte da mente [2]. Aos poucos foi sendo substituído o conceito de “mente” pelo de “cérebro”. Os materialistas acreditam que a mente não existe como uma entidade separada; é meramente um estado do cérebro, causada tão-somente por neurônios e neuroquímica.

É de se esperar que as explicações científicas acerca das maravilhas da mente humana e do cérebro encontrem respostas na teoria da evolução de Charles Darwin por meio dos mecanismos de seleção natural. Porém, não é bem o caso. Para Darwin, a mente foi um enorme problema por resolver. A única coisa que ele disse sobre isso invalida todas as suas hipóteses sobre a teoria evolutiva, que foi o produto (convicção) de sua mente. Em 1881, após refletir sobre o assunto, ele escreveu a William Graham: “Comigo a terrível dúvida sempre surge se as convicções da mente humana, as quais foram desenvolvidas a partir da mente de animais inferiores, são de algum valor ou de todo confiáveis. Qualquer um confiaria nas convicções da mente de um macaco, se houvesse alguma convicção em tal mente?” [3]

Ainda assim, recentemente o biólogo neodarwinista Richard Dawkins afirmou: “É tremendamente difícil definir o que é consciência. Não existe consenso sobre isso. Mas, obviamente, a consciência evoluiu como uma propriedade emergente dos cérebros. Nós, seres humanos, temos consciência. Portanto, é certo que, em algum momento, nossos ancestrais obrigatoriamente desenvolveram consciência.”[4: p. 16]

O filósofo da mente John Searle já havia feito a seguinte alegação: “Sabemos que a consciência […] é causada por processos neurobiológicos bem específicos. Nós não sabemos os detalhes de como o cérebro faz isso, mas sabemos, por exemplo, que se você interferir com os processos de determinadas maneiras – anestesia geral, ou um golpe na cabeça, por exemplo – o paciente fica inconsciente.”[5] Por sua vez, o neuropsicólogo Barry Beyerstein disse em uma entrevista que, “assim como os rins produzem urina, o cérebro produz a consciência”.[6]

No entanto, novas evidências têm contestado esse conceito clássico. Um novo campo de pesquisa tem surgido: a neurociência não materialista. Pesquisadores que a defendem dizem que “a mente existe e usa o cérebro, mas não é a mesma coisa que o cérebro”.[7: p. 358] Esse campo de pesquisa tem contribuído para a compreensão de uma mente imaterial e separada do corpo, mas que ao mesmo tempo é capaz de controlá-lo por meio da dinâmica eletroquímica do cérebro, e usar as informações coletadas pelos sistemas sensoriais disponíveis.

Mas em que os neurocientistas não materialistas se baseiam para fazer suas afirmações? Os argumentos seguem duas linhas de evidência. A primeira vem do fato de que certas manifestações de estados mentais (não físicos) podem influenciar os estados do cérebro; e a segunda está relacionada à ausência de uma explicação materialista contemporânea satisfatória para a chamada experiência consciente.

Beauregard e O’leary, proponentes do design inteligente, afirmam que estados e conteúdos mentais comprovadamente afetam estados cerebrais.[7] De fato, em 2006, outro estudo já havia verificado que experiências subjetivas mudam a química do cérebro.[8] Os autores desse estudo demonstraram que nossa experiência subjetiva de interagir com o rosto de outras pessoas afeta uma região do córtex relacionada à percepção facial no cérebro do receptor.

Isso quer dizer que as mentes não poderiam estar totalmente instanciadas (criadas) no cérebro, nem nas relações deste com o ambiente e nem em nenhum lugar de nosso mundo físico. Mas o que vem a ser a mente? O que é a consciência? Seria a “alma” de um ser humano? Seria o fôlego de vida? Ou a sua fonte vital? Para os autores, as chamadas experiências religiosas, espirituais e místicas (EREM) podem realmente acontecer.

Em 2006, impulsionados por sua curiosidade sobre o que está acontecendo com o cérebro durante as EREM, Beauregard e Paquette estudaram as experiências espirituais de freiras carmelitas.[9] Para tanto, eles se utilizaram de estudo de imagem por ressonância magnética funcional (fMRI) com o objetivo de identificar os correlatos neurais durante as EREM. Os pesquisadores descobriram uma coleção de áreas do cérebro que estavam mais ativadas durante as experiências, chegando à conclusão de que é mais provável que as freiras estivessem enfrentando diretamente realidades fora de si mesmas (além do cérebro material).

Mas, além dessas, existem outras evidências de que a consciência e o Self (autoconsciência) não são meramente um processo físico do cérebro? Um estudo realizado pelo neurocirurgião Wilder Penfield estimulou eletricamente o cérebro de pacientes com epilepsia e descobriu que podia levá-los a mover o braço ou a perna, virar a cabeça ou os olhos, falar ou engolir. Invariavelmente, o paciente iria responder, dizendo: “Eu não fiz isso. Você fez.”[10, 11] O Dr. Penfield acrescenta: “O paciente pensa em si mesmo como tendo uma existência separada de seu corpo”, e “não importa o quanto [se estimule] o córtex cerebral, […] não há nenhum lugar […] onde a estimulação elétrica fará com que um paciente acredite ou decida [algo].”[10, 11] Isso porque essas funções são originárias do Self, não do cérebro.

Roger Sperry e colaboradores estudaram a diferença entre os hemisférios cerebrais esquerdo e direito e descobriram também que a mente tem um poder causal independente das atividades do cérebro, o que os levou a concluir que o materialismo era falso.[10, 12] Outro estudo mostrou um atraso entre o tempo de um choque elétrico aplicado na pele, sua chegada ao córtex cerebral e a percepção de autoconsciência da pessoa.[10, 13] Isso sugere que a experiência subjetiva é mais do que apenas uma máquina que reage aos estímulos recebidos pelo cérebro. O autor do estudo, Laurence Wood, disse que por essas e outras razões é que “muitos cientistas do cérebro têm sido obrigados a postular a existência de uma mente imaterial, mesmo que eles não tenham uma crença em vida pós-morte”.

A neurociência tem contribuído significativamente com geração de dados neurofuncionais relativos às EREM. Andrew Newberg é considerado o pai de um novo ramo da neurociência que estuda os efeitos da espiritualidade no cérebro: a neuroteologia. Em 2009, ele publicou os resultados de uma pesquisa realizada ao longo de 15 anos. Foi analisada, por meio de tomografia cerebral – tomógrafo por SPECT -, a atividade do cérebro de religiosos de diversas crenças e ateus durante uma EREM (oração e meditação).[14] Foram observados diferentes padrões de atividades neuronais entre crentes em um ser inteligente (chamando-o de Deus) e não crentes. Para Newberg, “Deus pode modificar seu cérebro, não importa se você é cristão ou judeu, mulçumano ou hinduísta, agnóstico ou ateu”; ademais, o cérebro é programado para acreditar em Deus, fato considerado fundamental para a sobrevivência da espécie humana.

Outra linha de pesquisa está associada à investigação dos fenômenos mediúnicos em que, supostamente, a consciência e a volição do médium estão atenuadas ou mesmo dissociadas. Em 2012, um estudo analisou o fluxo sanguíneo cerebral (CBF) de dez médiuns brasileiros durante a prática de psicografia.[15] O método utilizado foi o de neuroimageamento por meio da tomografia por emissão de fóton único. Os resultados mostraram uma diminuição na atividade nas redes atencionais durante a EREM, o que levou os cientistas a considerar mente e cérebro como coisas diferentes ao dizer que devemos “melhorar a nossa compreensão da mente e sua relação com o cérebro”.[15: p. 7]

Além disso, existe uma linha de pesquisa na Neurociência não materialista relacionada às experiências de quase morte (EQM). Em 2013, um estudo norte-americano afirmou que EQM são tipos de EREM vívidas, realísticas, que frequentemente promovem mudanças profundas na vida de pessoas que estiveram fisiológica ou psicologicamente próximas da morte.[16] As EQM por vezes ocorrem durante uma parada cardíaca, na ausência de atividade cerebral detectável. Os autores da pesquisa revisaram estudos prospectivos e descobriram uma incidência média de 10% a 20% de EQM induzidas por paradas cardíacas.

Para os cientistas, pessoas que passaram por EQM são mais propensas a mudanças de vida positivas que podem durar muitos anos após a experiência do que aquelas que não a tiveram.[16] Eles concluem que as teorias materialistas da mente não são capazes de explicar como pessoas que tiveram EQM podem vivenciar − enquanto seu coração está parado e sua atividade cerebral aparentemente ausente – pensamentos vívidos e complexos e adquirir informações verídicas a respeito de objetos ou eventos distantes de seus corpos. Segundo essa linha de pesquisa, as EQM em paradas cardíacas sugerem que a mente não é gerada pelo cérebro e não está confinada a ele ou ao corpo.

Por outro lado, a Neurociência não materialista pode fornecer outra explicação para essas EQM, tais como ser resultado da diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro, o que provocaria alterações momentâneas na mente. Conforme o neurocientista norte-americano Kevin Nelson afirmou em uma entrevista: “Em casos de quase morte, os estados de consciência podem se misturar, provocando reações como paralisia e alucinações.”[17]

Ao mesmo passo em que o Dr. Nelson provê uma alternativa científica para as EQM, o neurocientista não descarta o papel da fé e da espiritualidade.[18] Ele acrescenta que, “mesmo se soubéssemos o que faz cada molécula cerebral durante uma experiência de quase morte, ou qualquer outra experiência, o mistério da espiritualidade continuaria”.[17] Nelson revela como nosso cérebro cria essas visões e diz que, apesar de tudo, ainda espera que exista vida após a morte.

A física quântica é outra das linhas de pesquisa da Neurociência não física, a qual nos diz que a realidade não é fixa – partículas subatômicas só passam a existir quando elas são observadas. Assim, em 2013, um estudo norte-americano analisou a consciência por meio de vários tipos de sistemas ópticos de dupla fenda.[19] A mecânica quântica, linha tomada como base para o estudo, sugere que exista uma consciência, e que ela pode desempenhar um papel fundamental na forma como o mundo físico se manifesta. Isso não significa que a consciência humana, literalmente, “criaria” a realidade, mas ela sugere que há mais consciência do que está implícito hoje nos livros didáticos.

Para os autores, o ato de observar um objeto cotidiano influenciaria as suas propriedades. Devido ao fato de o objeto quântico ser extremamente reativo ao ato de observação, essa sensibilidade será constatada sempre que um objeto quântico for medido, afirmam os autores.[19] O ato de medir a sensibilidade de um objeto faz com que o comportamento das ondas quânticas mude o comportamento das partículas. Os autores salientam que foram realizados três experimentos: dois em que as pessoas tentaram influenciar objetos mentalmente em seu laboratório, e um envolvendo um teste semelhante realizado online. Todos os três experimentos mostraram resultados positivos consistentes com a proposta de von Neumann (pai da Física Quântica) e com pesquisas anteriores.

Em 2014, um estudo realizado por um neurocientista pró-design inteligente explicou que o materialismo científico ainda é influente em certas esferas acadêmicas.[2] O autor examinou várias linhas de evidência empírica mostrando que o materialismo é incompleto e obsoleto. As evidências levantadas indicam que os humanos não podem ser reduzidos a impotentes máquinas biofísicas, uma vez que a psique influencia fortemente a atividade do cérebro e do corpo, e pode operar telossomaticamente. Com base nessas evidências, o autor elaborou e propôs a Teoria da Psychelementarity (ainda sem tradução).

Essa teoria sugere que a psique desempenha um papel primordial na forma como o Universo funciona, o equivalente a matéria, energia e espaço-tempo.[2] Além disso, afirma que a psique não pode ser reduzida a processos físicos ou a uma posição reducionista. A teoria abrange uma série de fenômenos psicofísicos supostamente bem estudados, que são reinterpretados à luz de uma perspectiva pós-materialista. Também inclui fenômenos anômalos que são rejeitados pelos materialistas.

Foi confrontando essa constante rejeição que, em 2014, oito cientistas internacionais de diversas áreas, incluindo o cientista psiquiátrico brasileiro Alexander MoreiraAlmeida, publicaram o “Manifesto pela ciência pós-materialista”, aberto para assinaturas.[20] Trata-se de um convite direto para que a ciência não se deixe emperrar pelo dogmatismo que se formou em torno do paradigma convencionalmente chamado de “materialismo científico”. O manifesto reconhece os tremendos avanços da ciência materialista, mas admite que a dominância dessa filosofia nos meios acadêmicos e universitários chegou a ponto de ser prejudicial, em especial ao estudo da consciência e da espiritualidade.

De fato, é incrível o poder que o materialismo científico tem nas academias e o seu discurso reduzido à matéria. Mas se realmente apenas a matéria existisse, então seríamos capazes de pegar toda a matéria do corpo humano e, a partir dela, criar vida. Como Geisler e Turek afirmam: “Certamente existe na vida alguma coisa além do material. Que materialista pode explicar por que um corpo está vivo e o outro está morto? Ambos contêm os mesmos elementos químicos. Por que um corpo está vivo num minuto e morre no minuto seguinte? Que combinação de materiais pode ser responsável pela consciência?”[21: p. 96]

Como o filósofo Geoffrey Madell disse: “O surgimento da consciência, então, é um mistério ao qual o materialismo falha em fornecer uma resposta.”[22: p. 141] Assim, as evidências indicam que a mente é o agente mais eficaz de mudança para o cérebro. É certo que existem várias linhas de pesquisa, e estudos produzidos a partir delas, acerca da ciência do cérebro imaterial na literatura disponível. Entretanto, neste artigo, procuramos apresentar apenas algumas dessas linhas.

Todavia, vale ressaltar que, embora a neurociência não materialista ainda não consiga responder a todas as perguntas relacionadas ao efeito placebo ou aos problemas psicológicos incapacitantes graves, tais como as fobias e o transtorno obsessivo-compulsivo, ela libera o cientista para estudar a questão, abrindo portas para novas investigações sobre como a mente funciona e para o futuro da pesquisa em Neurociência.

(Everton Fernando Alves é enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde pela UEM; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:

[1] Hoppen NHF. As neurociências no Brasil de 2006 a 2013, indexada na Web of Science: produção científica, colaboração e impacto. Dissertação (Comunicação e Informação). Porto Alegre: UFRGS, 2014.

[2] Beauregard M. “The Primordial Psyche.” Journal of Consciousness Studies 2014; 21(7–8):132-57.

[3] Charles Darwin to William Graham, Darwin Correspondence Project, Letter No. 13230, dated July 3rd, 1881. Disponível em: http://www.darwinproject.ac.uk/entry-13230

[4] Entrevista concedida por Richard Dawkins. “Maravilhe-se com o universo” [27 Mai. 2015]. Entrevistador: André Petry. Revista Veja, edição 2.427, ano 48, n 21, 2015.

[5] Réplica de John Searle ao artigo de David J. Chalmers: “‘Consciousness and the Philosophers’: An Exchange” [Mai. 1997]. The New York Review of Books, 1997. Disponível em: http://www.nybooks.com/articles/archives/1997/may/15/consciousness-and-the-philosophers-an-exchange/

[6] Entrevista concedida por Barry Beyerstein. “Do Brains make minds?” Série: Closer to Truth. Entrevistador e escritor do programa: Dr. Robert Lawrence Kuhn. Produzido pela Fundação Kuhn e Getzels Gordon Productions, 2000. Disponível em:

http://www.closertotruth.com/roundtables/do-brains-make-minds

[7] Beauregard M, O’Leary D. The Spiritual Brain: A Neuroscientist’s Case for the Existence of the Soul. New York: HarperCollins, 2007.

[8] Kanwisher N, Yovel G. “The fusiform face area: a cortical region specialized for the perception of faces.” Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2006; 361(1476): 2.109-2.128.

[9] Beauregard M, Paquette V. “Neural correlates of a mystical experience in Carmelite nuns.” Neurosci Lett. 2006; 405(3):186-90.

[10] Strobel L. The Case for a Creator: A Journalist Investigates Scientific Evidence That Points Toward God. Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 2009. Disponível em: http://verticallivingministries.com/2012/10/05/do-we-have-souls-lee-strobel-interviews-dr-j-p-moreland/

[11] Penfield W. Mystery of the Mind: A Critical Study of Consciousness and the Human Brain. New Jersey: Princeton University Press, 2015.

[12] Sperry R. “Changed Concepts of Brain and Consciousness: Some Value Implications.” Journal of Religion & Science 1985; 20(1):41-57.

[13] Wood LW. “Recent Brain Research and the Mind-Body Dilemma.” The Asbury Theological Journal 1986; 41(1):37-78.

[14] Newberg A, Waldman MR. Como Deus Pode Mudar Sua Mente: Um Diálogo entre Fé e Neurociência. Tradutor: Júlio de Andrade Filho. Rio de Janeiro: Editora Prumo, 2009.

[15] Peres JF, Moreira-Almeida A, Caixeta L, Leao F, Newberg A. “Neuroimaging during Trance State: A Contribution to the Study of Dissociation.” PLoS One. 2012; 7(11): e49360.

[16] Trent-Von Haesler N, Beauregard M. “Near-death experiences in cardiac arrest: implications for the concept of non-local mind.” Arch. Clin. Psychiatry 2013; 40(5):197-202.

[17] Entrevista concedida por Kevin Nelson. “A neurociência da espiritualidade” [Jan. 2011]. Entrevistadora: Natalia Cuminale. Seção: Corpo e Mente. VEJA.com – Ciência, 2011. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-ciencia-da-espiritualidade

[18] Nelson K. The Spiritual Doorway in the Brain – a Neurologist’s Search for the God Experience. New York, NY: Dutton, 2011.

[19] Radin D, Michel L, Johnston J, Delorme A. “Psychophysical interactions with a double-slit interference pattern.” Physics Essays 2013; 26(4): 553-66.

[20] Beauregard MSchwartz GEMiller LDossey LMoreira-Almeida ASchlitz MSheldrake RTart C. “Manifesto for a Post-Materialist Science.” Explore (NY), 2014; 10(5):272-4.

[21] Geisler NL, Turek F. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Editora Vida, 2006.

[22] Madell GC. Mind and Materialism. Edinburgh: Edinburgh University Press, 1988.