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Por que não se critica o comunismo como o nazismo?

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Auschwitz-Birkenau – Visita ao Campo de Extermínio

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Pouco mais de 60 minutos de distância da cidade de Cracóvia, no Sul da Polônia, encontra-se o maior campo de extermínio construído na história do planeta. Levado a cabo pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, hoje Auschwitz-Birkenau é uma espécie de museu no qual o visitante se dá conta de que o Holocausto realmente existiu para além da História e dos livros. De que realmente pelo menos 1.3 milhões de pessoas foram assassinadas lá em pouco mais de dois anos. Trata-se do maior cemitério do mundo, ainda que sem lápides, que consegue nos fazer refletir profundamente sobre a vida, e o ser humano.

O nacionalismo, a burocracia, o progresso e a indústria, condições que separadas são basicamente inofensivas, em circunstância históricas específicas podem trazer o que há de pior no homem. O projeto de nação pura, de grande império, a possibilidade de todo alemão ser um conquistador, um ser superior, que detinha o maldito poder de decidir pela vida ou morte de milhares, entrou em consonância com o mais intimo, cruel, e assustador aspecto do ser humano – o orgulho. De uma geração alemã subjugada saíram aqueles que venceriam o mundo todo. O preço para um grande Reich que duraria mil anos parecia pequeno. Subjugar os judeus, antes enriquecidos e poderosos, agora indignos de sua própria humanidade. Trabalho que também alimentava por demais a vaidade. Que terror me traz esse mal que nos tenta diariamente em escalas tão diferentes.

Nacionalismo não é mais do que é um jogo de vaidades étnicas. Somos algo, na medida em que diferimos do outro. Precisamos do outro para ser quem somos. Não somos todos iguais eles diziam. Quanta bobagem. Tudo é vaidade e correr atrás do vento dizia Salomão. Eclesiastes 2:17. Isso sim é sabedoria. Sempre quando levantamos uma bandeira, seja ela em qualquer escala – do nacionalismo à roupa que vestimos e nos difere do mais humilde – tudo é a mesma coisa. É vaidade. Como temos a aprender com o Cristianismo que nos ensina a perseguir a humildade e não o orgulho. É o caminho oposto a todo esse jogo horrível que expressa o que há de pior em todos nós. O holocausto é a prova final de que o homem é homem – desde sempre, mas numa escala extrema do mal – a escala industrial.

A divisão do trabalho impossibilitava imputar a culpa. Eu somente abria a porta, pode dizer um soldado alemão. Eu só tomava os nomes, outro diria. Eu somente conduzia as pessoas ao trem. Assim ninguém matava ninguém. A burocracia permitiu isso. Enquanto para uns era o trabalho e a honra de construir um império, para outros apenas a morte e a devastação. O judeu foi o combustível dos alemães na guerra. Suas riquezas, seus imóveis, sua força de trabalho, até mesmo seus corpos – os cabelos iam para a indústria têxtil e as cinzas para a indústria de fertilizantes. Nada poderia ser desperdiçado. Tudo para colocar o mundo aos pés dos poderosos, viris, e orgulhosos conquistadores. Tudo vaidade. Orgulho, e vaidade.

O trabalho liberta

Entrada de Auschwitz I: A inscrição no portão diz “O trabalho liberta” embora ninguém tenha sido libertado através de seu trabalho no campo. Cabe observação que a grande maioria – 90% – dos que foram deportados a Auschwitz iam diretamente para as câmaras de gás de Auschwitz II Birkenau. No auge a indústria de extermínio dava conta de 8000 mortes por dia.

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Como eram marcados cada tipo de prisioneiro: Judeus com a estrela de Davi, homossexuais com um triângulo rosa, etc.

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Crianças vítimas dos bizarros experimentos médicos conduzidos pelo Dr. Josef Mengele. Depois da guerra, Mengele fugiu para a América do Sul. Só foi encontrado depois de morto, sob identidade falsa. O cruel médico nunca chegou a ser julgado pelos seus crimes.

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A maior parte do complexo Auschwitz I está muito bem preservada.

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Entrada da única câmara de gás que não foi destruída pelos nazistas. Seis meses antes da liberação de Auschwitz pelos soviéticos os alemães começaram a destruir evidências dos seus crimes.

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Latas do gás Zyklon B, usado para matar pelo menos 1,3 milhões de pessoas em Auschwitz.

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Paredão em que ocorriam fuzilamentos diários de prisioneiros em Auschwitz I.

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Retratos que mostram o resultado da inanição – pois comiam apenas um pedaço de pão por dia – aliada aos trabalhos forçados – muitas vezes em temperaturas que beiravam os 20 graus negativos. Mulheres de 70 kg, em menos de três meses chegavam a 25 kg.

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A média de vida dos prisioneiros era de dois a três meses.

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Os pertences dos judeus mortos eram enviados a população civil da Alemanha. Este mar de sapatos foi o que sobrou quando os soviéticos liberaram o campo.

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Os judeus deportados partiam espremidos em vagões de gado em viagens que podiam demorar até três dias. Alguns já chegavam mortos no destino final.

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Local ao lado de uma das câmaras de gás onde foi enforcado Rudolf Hoess – comandante supremo de Auschwitz – por ordem do tribunal de Nuremberg.

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A última imagem registra o trilho e o portal do temido campo Auschwitz II Birkenau, local onde os deportados iam diretamente para as câmaras de gás.

Fotos: Orlando Brunet Filho. Fevereiro de 2013.

Modernidade e Holocausto

modernidade_holocausto_bauman_025125O anti-semitismo não foi exclusividade da Alemanha, e nem esse o país em que esse sentimento se manifestou de forma mais forte. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, se opõe à explicação de que houvesse um anti-semitismo cravado na cultura e no estado germânico.  Pelo contrário, o holocausto se explica pela sua racionalidade, possível devida às estruturas burocráticas e administrativas do Estado moderno. Bauman desconstrói a tese de que o nazismo é um desvio de racionalidade, ou o extremo da barbárie, segundo o autor, a crença no progresso e na razão também se encaixam no nazismo, e o extermínio é uma das faces da modernidade.

O ódio ao judeu existe desde sempre, e não pode ser fator de explicação para o holocausto. No século XIX, a experiência com o outro não é mais apenas uma heterofobia, fundamentada no medo e na ameaça exercida pelo diferente, pela primeira vez institucionaliza-se o racismo, com todo um discurso de cunho científico que ampara as políticas raciais exercidas pelo Estado nazista. A palavra eugenia significa boa geração, e o extermínio tinha, antes de tudo, uma função de darwinismo social.