Arquivo da tag: Filosofia

A Lei Moral e o Imperativo Categórico de Kant

Immanuel_Kant_(painted_portrait)

Na lápide de Kant, em Königsberg, encontramos uma de suas citações mais conhecidas: “Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim. São para mim provas de que há um Deus sobre mim e um Deus dentro de mim“. Kant considerava a distinção entre o certo e o errado uma questão real e palpável. Para ele todas as pessoas sabem distinguir uma coisa da outra não por ter aprendido, mas porque todos possuímos uma razão prática que nos diz em qualquer tempo o que é certo e errado em nossa esfera moral – essa capacidade, que é a lei moral é tão absoluta quanto as leis da física. Ela antecede toda e qualquer experiência e não se vincula a nada que envolva uma escolha, pois é imperativa, absoluta e abrangente. Para Kant a lei moral é a consciência humana, que nos distingue dos animais, não pode ser comprovada pela razão, mas é inevitável. Quando faço algo, tenho que me certificar que qualquer um faria o mesmo naquela situação. Nisso implica seu imperativo categórico, que demanda que devemos tratar o outro com um fim em si mesmo, e não como um meio. Não posso usar outros ou a mim mesmo como meio – por isso a ética de Kant é descrita como a ética do dever. Para o filósofo, somente quando em consonância com a lei moral é que sou verdadeiramente livre, pois quando escravos da causalidade não temos livre arbítrio – vide os animais. Porém, quando nos submetemos a lei moral, somos nós que determinamos a lei que vai nos governar.

Para saber mais sobre Kant:

https://faceaovento.com/2008/07/31/ciencia-e-filosofia-moderna/

Anúncios

A Civilização do Espetáculo – Llosa

42130081“A civilização do espetáculo – Uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura” de Mario Vargas Llosa. O Prêmio Nobel de Literatura de 2010 descreve um contexto no qual a cultura se aproxima cada vez mais do entretenimento e se afasta da reflexão. Qualquer empreendimento que exija algum esforço intelectual maior tende a ser rejeitado pelo leitor/consumidor em busca de prazeres fáceis e instantâneos, “que os imunize contra a preocupação e a responsabilidade”. O efeito disso é um estado de permanente confusão e oportunismo, no qual os maiores patifes e embusteiros são celebrados como grandes artistas, e o descaramento e o marketing substituem o talento. Aliás, já não é possível, afirma o autor, discernir com certa objetividade o que é ter ou não ter talento, “o que é belo e o que é feio, qual obra representa algo novo e duradouro e qual não passa de fogo de palha”. A obra sem dúvida é um pouco elitista e conservadora, e até muito pessimista, mas verdadeira em grande parte de seu espectro – a despeito de seus julgamentos.

Sobre a Ideologia de Esquerda nas Universidades Brasileiras

UFPR

“É delírio pensar que existe uma orquestração esquerdista para doutrinar alunos” disse o professor Luiz Eva, da Filosofia da UFPR, ao blog CAIXA ZERO do jornal Gazeta do Povo. Segue abaixo a entrevista completa:

1- Há um predomínio de intelectuais de esquerda nas universidades públicas brasileiras? Por quê?

Só posso me pronunciar aqui acerca de minhas impressões cotidianas do setor de humanas da nossa UFPR e das demais universidades que conheço. Infelizmente o contato entre áreas diferentes da universidade, em nível pessoal ou mesmo científico, é quase inexistente. Concordo basicamente com o que disse o meu colega Adriano Codato, da Ciência Política: entre nós, é visível uma certa predominância de pessoas com uma tendência “à esquerda”, mas ela não corresponde à imagem que pode eventualmente ser transmitida à sociedade pelos movimentos organizados de esquerda que se fazem representar na universidade pública. Não me parece nenhuma novidade que, talvez mesmo em um sentido mais amplo, a figura do intelectual engajado tenha perdido espaço e o engajamento, não sei se dos intelectuais, mas dos pesquisadores em ciências humanas na universidade pública seja, de modo geral, pouco ou nada relevante para a aferição de sua qualidade ou do seu prestígio. Acho que, cada vez mais, a questão central, ao menos na minha área (que é a Filosofia) tende a ser a de saber se o pesquisador domina ou não, ou em que grau, os critérios de qualidade para tratar do objeto de que trata, estude ele um pensador de esquerda ou não.

A inclinação à esquerda a que eu me referi talvez possa ser explicada a partir de causas (a história recente, a maneira como professores e alunos se posicionam diante dela, a atitude com que as vozes discordantes são ou não capazes de articular o que pensam) que escapam à minha competência. Mas penso que ela reflete, basicamente, uma posição de simpatia acerca da necessidade de transformações reais na sociedade civil capazes de produzir mais justiça e igualdades de condições (com a qual, aliás, me alinho). Por outro lado, ainda que essa inclinação pode por vezes se converter em uma espécie de senso comum que ocupa o lugar de um aprofundamento no debate, existe, de todo modo, um nível de liberdade intelectual no interior da universidade graças ao qual é perfeitamente possível, ao menos em tese, que esse debate se aprofunde. O problema maior parece-me dizer respeito à formação básica dos alunos que chegam à universidade e, consequentemente, à sua capacidade de usar as ferramentas pertinentes para um debate intelectual relevante.

2- A direita acusa a esquerda de “aparelhar” as universidades. Isso seria possível? Como?

O concurso público para professores tem sido uma instituição acadêmica cada vez mais respeitada ao longo das últimas décadas. Cada vez mais um número expressivo de professores defende e promove a realização de concursos que busquem o melhor candidato disponível para exercer uma função intelectual específica, independentemente de suas filiações partidárias. Ademais, realmente existe liberdade de cátedra na universidade pública. Esse é o nosso universo e, nesse sentido, não me parece possível falar em “aparelhamento”: o que há, em vez disso, se não estou enganado, é a presença cada vez mais clara de um “ethos” intelectual que compreende o respeito a valores fundamentais a serem reconhecidos e respeitados como condições da qualidade da pesquisa acadêmica, no qual se incluem a isenção e a busca da concorrência pública em nome do aprimoramento dessa qualidade, independentemente de posições político-ideológicas.

Mas a vida intelectual na universidade tem outros aspectos. Existem grupos intelectuais que se pretendem representações da “esquerda” no interior da universidade e que buscam essencialmente preservar estruturas de poder, isto é, grupos que ainda atuam segundo a lógica da estrutura de cátedras, agregados em torno de um líder feudal, certamente brilhante, que buscam garantir hegemonia pela imposição de um determinado estilo teórico. Naturalmente, é de se esperar um conflito, em algum nível, entre esse modo de conceber a atividade intelectual e o tipo de atitude a que me referi. De todo modo, a relação com a esquerda num caso como este me pareceria ser casual, posto que tal atitude não decorre propriamente dessa orientação política e se faz presente de outras maneiras e por parte de grupos diversos.

Além disso, os sindicatos usualmente pretendem mobilizar um ideário de esquerda pela defesa de certos “direitos fundamentais” cujo beneficiário nem sempre é necessariamente a Universidade, ao menos compreendida como instituição pública voltada ao aprimoramento de seus critérios de eficiência e qualidade. Mas esse discurso se alimenta principalmente da omissão de pesquisadores que optam, compreensivelmente, por permanecer em seus laboratórios a tentar fazer suas posições terem alguma repercussão nas assembleias. Também aqui há um conflito latente (que geralmente eclode nos momentos finais da greve) entre as posições mais tradicionais do sindicato e aqueles que, em defesa de certos valores acadêmicos, acabam por ser tachados de “direitistas”.

Neste sentido específico, ainda que talvez a universidade tenha sido preservada por essa “esquerda” de reformas que poderiam ter sido nocivas, a sua atuação é hoje essencialmente conservadora e seu efeito, a meu ver, é negativo no que tange às eventuais transformações que se fariam necessárias para conferir maior excelência à nossa universidade pública, ao menos a partir de uma perspectiva de excelência menos provinciana.

3- Questões de vestibular, Enade e Enem, segundo parte da direita, seriam usadas como instrumento de doutrinação e de seleção de alunos que corroboram teses do atual governo. Isso faz sentido?

O vestibular normalmente é elaborado por uma comissão local de cada universidade, e usualmente os próprios departamentos colaboram com a formulação das questões. Ao menos na nossa área, essa suspeita é absurda. Quanto ao Enem e o Enade, tenho menos contato com o processo de elaboração, mas tendo a pensar, como o Adriano Codato, que as questões refletem principalmente o “cânone de pedagogos”. Isso não significa que a prova não possa ser aperfeiçoada, ou mesmo, especialmente, esse próprio cânone. Mas veja-se que neste mesmo caldo de críticas os próprios alunos do curso de Filosofia (como de outros cursos) embarcaram no boicote das provas, muitos deles decerto por acharem que a ideia da avaliação não seria suficientemente à esquerda. Acho que esse tumulto em torno dos exames é lamentável, pois eles são o resultado de um esforço de racionalização extremamente importante no processo de avaliação do ensino, sem o qual pouco se pode esperar em termos de aprimoramento da qualidade.

4- Por que a direita não tem mais representantes nos cursos de humanas? Faltam intelectuais à direita? Por quê?

Eu diria antes que faltam intelectuais, sem mais. Mas para responder à sua pergunta eu diria que é preciso olhar para a história recente do país. Durante o regime militar, a liberdade crítica esteve seriamente limitada, não apenas mas especialmente nas Universidades. Lembremos de episódios como os narrados pelo falecido geógrafo Aziz Ab’Saber, que repreendeu publicamente, durante uma aula, um agente do regime militar que frequentava seu curso e havia sequestrado uma colega de classe para torturá-la. Parece-me moralmente compreensível, num clima desses, que entre os interessados pela defesa de algum espírito crítico e da liberdade intelectual se desenvolvesse ojeriza pela “direita” e pelo que ela representa. Se assim é, boa parte da responsabilidade se deve à nossa direita.

Mas como você sabe esses conceitos são elásticos. Por vezes, partidários da esquerda imbuídos da crença de que todo e qualquer evento tem uma significação intrínseca no sentido de avançar ou de reter a realização do ideal pensam que toda reflexão que não se alinha com um pensamento da esquerda é necessariamente de “direita”. Do ponto de vista dessas pessoas decerto que a universidade está hoje dominada pela direita, na medida mesma em que nem a investigação nem o objeto de estudo estão diretamente atrelados a esse ideal.

5- Há risco de “doutrinação ideológica” dos alunos nas universidades?

Claro que sim, sempre há, mas não apenas na universidade, nem especialmente na universidade. Mas, novamente, é delírio achar que haveria um risco decorrente de um movimento orquestrado pela esquerda para esse fim nas salas de aula da universidade pública. Acho que temos um nível de liberdade acadêmica na vida universitária que favorece, ao menos potencialmente, o desenvolvimento de espírito crítico – compreendido aqui como a capacidade de distanciamento necessária para que se possam considerar adequadamente razões favoráveis e contrárias – e penso que muitos dos meus colegas atuam nesse sentindo. Muitos alunos, é verdade, vão à universidade (como a outros locais) em busca de doutrinação e a acabam encontrando, posto que muitos professores também se sentem bem na posição de pastores da verdade, mas isso novamente não é privilégio da esquerda nem da direita. Em síntese, acho que existe espaço suficiente para convidar os alunos a refletirem sobre essa situação e mesmo perceberem que as seduções doutrinárias de diferentes tipos poderia ser uma ocasião para aguçar o espírito crítico. O que nem sempre há é disposição de aceitar esse convite, novamente em parte, acho eu, por falta de um contato prévio mais adequado com o universo da reflexão intelectual.

FONTE: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/caixa-zero/e-delirio-pensar-que-existe-uma-orquestracao-esquerdista-para-doutrinar-alunos/

Fernando Henrique Cardoso: O pensador e os pensadores

13540_ggO ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi eleito na quinta-feira, 27 de junho, em primeira votação, como novo membro da Academia Brasileira de Letras. Recebeu 34 dos 39 votos possíveis, e um acadêmico se absteve.

Sua eleição coincidiu com o lançamento de um interessante livro que se soma à sua vasta e fecunda obra — algo que não se pode dizer de alguns acadêmicos, como, por exemplo, o ex-vice-presidente Marco Maciel, do qual provavelmente nem os colegas acadêmicos são capazes de mencionar um único titulo.

FHC tem duas dezenas de obras publicadas.

Resenha de Julia Carvalho, publicada em edição impressa de VEJA

O PENSADOR E OS PENSADORES

Em uma coletânea de ensaios, Fernando Henrique Cardoso revisa os intelectuais que o formaram

Político habilidoso na formação de alianças que possibilitaram a grande arrancada modernizante do país, Fernando Henrique Cardoso nunca abandonou por completo o pensamento acadêmico.

Foi, à sua maneira, um presidente-sociólogo. “Sempre tive reservas à política com ‘p’ minúsculo, da articulação, do jogo. Participei dela quando precisei, mas, como sou sociólogo, era a grande política que realmente me interessava”, disse a VEJA.

Em seu novo livro, Pensadores que Inventaram o Brasil (Companhia das Letras; 336 páginas; 39,50 reais, ou 27,50 reais na versão eletrônica), o ex-presidente mescla sua excepcional capacidade de análise com um toque de memorialismo para escrever sobre intelectuais que, como ele, pensaram sobre o Brasil.

O livro reúne dezoito ensaios que analisam a obra de dez pensadores brasileiros, de Joaquim Nabuco a Celso Furtado. Entre esses textos, há material inédito e artigos, prefácios e conferências já publicados, mas revisados para a coletânea.

Um dos perfis que vêm à luz pela primeira vez é “Um crítico do estado: Raymundo Faoro”, dedicado ao autor de Os Donos do Poder. Nomes importantes da história intelectual do país, como Rui Barbosa e Oliveira Viana, ficaram de fora.

Explica Fernando Henrique: “Não é um livro que narra a história do pensamento brasileiro. Meu intuito foi apenas falar sobre grandes autores que me influenciaram, na sociologia ou na política. É um livro muito pessoal”.

Fernando Henrique conviveu com a maioria dos autores que agora analisa. Foi aluno de Antonio Candido e de Florestan Fernandes – de quem mais tarde foi vizinho e assistente – na Faculdade de Filosofia da USP. Dividiu casa com Celso Furtado durante o exílio no Chile. Sérgio Buarque de Holanda fez parte da banca que examinou seu doutorado, e Faoro foi seu companheiro na militância contra o regime militar.

Essa familiaridade não só com a teoria mas também com os autores resulta em uma combinação deliciosa. Em uma passagem, Fernando Henrique descreve o temperamento explosivo de Florestan, que certa vez gesticulou “com tal força numa reunião em Nova York, no Council of the Americas, que os americanos presentes me perguntaram: mas o que é isto? Porque o gesto não tinha correspondência na cultura americana”.

Os autores examinados são já tidos como clássicos. Por isso, como observa o historiador José Murilo de Carvalho no posfácio, o ensaísta às vezes repisa concepções consolidadas no meio acadêmico – mas sempre com um toque pessoal que esclarece conceitos, desvenda teorias, ilumina questões complexas.

Através do exame desses grandes pensadores do Brasil, tem-se um vislumbre do presidente-sociólogo.

Extraído de VEJA.

Quais são as três principais deficiências na evolução darwinista conforme ensinadas hoje nas escolas públicas?

Nós geralmente recebemos e-mails de estudantes buscando informação sobre a evolução. Recentemente um estudante universitário fez a seguinte pergunta: “Quais são a três principais deficiências na teoria evolucionária sendo ensinada hoje nas escolas públicas?” Minha resposta foi a seguinte:

“Infelizmente a maioria das escolas públicas NÃO ensinam sobre as deficiências na teoria evolucionária. Em vez disso, eles censuram esta informação, escondendo dos alunos toda a ciência que desafia a evolução darwinista. Mas em um mundo perfeito, se as evidencias contra a teoria darwinista fossem ensinadas, essas seriam as minhas três escolhas principais:

(1) Dizer aos alunos que o registro fóssil frequentemente não tem formas transicionais e que há “explosões” de novas formas de vida, um padrão de radiações que desafia a teoria evolucionária darwinista.

(2) Dizer aos alunos que muitos cientistas têm desafiado a capacidade da mutação aleatória e da seleção natural de produzir características biológicas complexas.

(3) Dizer aos alunos que muitas linhas de evidência a favor da evolução darwinista e do ancestral comum são fracas:

a. Os embriões vertebrados começam a se desenvolver muito diferentemente, em contraste com os desenhos dos embriões frequentemente encontrados nos livros didáticos que, na maioria, aparecem semelhantes.

b. A evidencia do DNA pinta quadros conflitantes da “árvore da vida”. Não existe nenhuma única “árvore”.”

c. A evidencia de mudanças de pequena escala, tais como as mudanças modestas no tamanho dos bicos de tentilhões ou as leves mudanças nas frequências de cor nas asas das “mariposas almiscaradas”, mostra microevolução, NÃO MOSTRA macroevolução.

É claro, em um mundo perfeito, eu também preferiria que mais do que meramente ‘três deficiências na teoria evolucionária” fossem ensinadas aos estudantes.

Eu também indiquei ao estudante um recurso que nós enviamos regularmente para alunos universitários, The College Student’s Back-to-School Guide to Intelligent Design [O guia sobre Design Inteligente do estudante universitário de volta à escola], que contém um punhado de respostas úteis para as objeções comuns ao Design Inteligente.

(Texto publicado no blog Desafiando a Nomenklatura Científica).

Bertrand Russell e a perspectiva liberal

Talvez a essência da perspectiva liberal pudesse ser resumida em um novo decálogo, não destinado a substituir o antigo decálogo, mas somente a suplementá-lo. Os dez mandamentos que, como professor, eu gostaria de promulgar, deveriam ser definidos assim:

1. Não sinta absolutamente certeza de nada.

2. Não pense que valha a pena proceder escondendo a evidência, pois a evidência certamente virá à luz.

3. Não tente desencorajar pensando que você tem certeza de que terá êxito.

4. Quando enfrentar oposição, mesmo que seja de seu esposo ou filhos, tente vencer pelo argumento e não pela autoridade, pois uma vitória que depende da autoridade é irreal e ilusória.

5. Não tenha respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a ser encontradas.

6. Não use o poder para suprimir as opiniões que você julga perniciosas, pois, se o fizer, as opiniões irão lhe suprimir.

7. Não tema ser excêntrico em opinião, pois cada opinião hoje aceita foi uma vez excêntrica.

8. Sinta mais prazer na dissensão inteligente do que na concordância passiva, pois, se você valorizar a inteligência como você deveria, a primeira implica em uma concordância mais profunda do que a última.

9. Seja escrupulosamente confiável, mesmo se a verdade for inconveniente, pois é mais inconveniente quando você tenta escondê-la.

10. Não sinta inveja da felicidade daqueles que vivem em um paraíso de loucos, pois somente um louco pensará que isso é felicidade.

(RUSSELL, Bertrand. The Best Answer to Fanaticism – Liberalism; Its calm search for truth, viewed as dangerous in many places, remains the hope of humanity. New York Times Magazine, 16/12/1951).

Bertrand Russell foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos e lógicos que viveram no século XX. Político liberal, ativista e um popularizador da filosofia, Russell recebeu o Nobel de Literatura de 1950, “em reconhecimento dos seus variados e significativos escritos, nos quais ele lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento”. Até à sua morte, a sua voz deteve sempre autoridade moral, uma vez que ele foi um crítico influente das armas nucleares e da guerra americana no Vietnã. Era inquieto.

(Texto publicado no blog Desafiando a Nomenklatura Científica).